Cadeira 04 - Waly Salomão// Marcos Vila Real



Era filho de sírio com uma sertaneja. 
Formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia em 1967, mas nunca exerceu a profissão. Andou na Escola de Teatro da mesma universidade (1963-1964) e estudou inglês na Columbia University, em Nova York (1974-1975). Na década de 1960, participou no movimento tropicalista. Foi também uma figura importante da contra-cultura no Brasil, nos anos 1970. Actuou em diversas áreas da cultura brasileira. O seu primeiro livro foi «Me segura qu'eu vou dar um troço», de 1972. Em 1997, ganhou o Prémio Jabuti de Literatura com o livro de poesia «Algaravias». O seu último livro foi «Pescados Vivos», publicado em 2004, após a sua morte.
Foi letrista de canções de sucesso, como Vapor Barato, em parceria com Jards Macalé. Amigo do poeta Torquato Neto, editou seu único livro, «Os Últimos Dias de Paupéria», lançado postumamente. 
As suas canções foram interpretadas por Maria Bethânia, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Gal Costa e O Rappa, entre outros.
Nos anos 1990, Waly Salomão produziu dois discos da cantora carioca Cássia Eller: «Veneno Anti-Monotonia» (1997) e «Veneno Vivo» (1998).
Trabalhou no Ministério da Cultura, como Secretário Nacional do Livro, na gestão de Gilberto Gil, no início do seu mandato. Uma das suas propostas era a inclusão de um livro na cesta básica dos brasileiros. 
Em 2003 actuou como personagem principal no filme Gregório de Matos sob a direcção de Ana Carolina. O filme narra a vida do poeta Gregório de Mattos, na Bahia do século XVII. Com a sua obra, o poeta anuncia o perfil tenso e dividido do povo brasileiro e satiriza os poderosos da época, que passam a combatê-lo até transformar a sua vida num verdadeiro inferno.
Fonte: Wikipédia






HOJE
O que menos quero pro meu dia
polidez,boas maneiras.
Por certo,
um Professor de Etiquetas
não presenciou o ato em que fui concebido.
Quando nasci, nasci nu,
ignaro da colocação correta dos dois pontos,
do ponto e vírgula,
e, principalmente, das reticências.
(Como toda gente, aliás...)
Hoje só quero ritmo.
Ritmo no falado e no escrito.
Ritmo, veio-central da mina.
Ritmo, espinha-dorsal do corpo e da mente.
Ritmo na espiral da fala e do poema.
Não está prevista a emissão
de nenhuma "Ordem do dia".
Está prescrito o protocolo da diplomacia.
AGITPROP - Agitação e propaganda:
Ritmo é o que mais quero pro meu dia-a-dia.
Ápice do ápice.
Alguém acha que ritmo jorra fácil,
pronto rebento do espontaneísmo?
Meu ritmo só é ritmo
quando temperado com ironia.
Respingos de modernidade tardia?
E os pingos d'água
dão saltos bruscos do cano da torneira
e
passam de um ritmo regular
para uma turbulência
aleatória.
Hoje...
Waly Salomão






"Poesia nenhuma é interpretável assim de uma vez por todas, como se você pegasse um poema e aquela linguagem você vara limpidamente com sua mente racional, cartesiana e pra todo o sempre você já pensou aquela poesia igual a uma borboleta alfinetada. Não é assim que se dá a poesia."