Cadeira 06 - Sílvia Regina Costa Lima


Silvia Regina Costa Lima é paulistana. Frequentou a Faculdade de Filosofia e a de História da USP. É poeta e contista com cinco volumes já publicados: Filigranas, poemas livres; Primeira Estrela, sonetos; Pequenos Contos do Cotidiano; Pequeno Cristal, poemas livres; Estrela Viva sonetos. Participou das Antologias: Verseja Brasil, Antologia Ponto & Vírgula ns. 4; 5; 6; 7; Antologia "7 Pecados", de Portugal e da 1º Coletânea de Poemas da ALubra. Criou e escreveu, por oito anos, o jornal informativo 'Prisma' de seu residencial. Em 2007 passou a escrever no site do Recanto das Letras. Em 2013, criou novo gênero literário: a Sextilha Real. É titular da cadeira imortal n.16 da AMLAC - Academia Metropolitana de Letras Artes e Ciências, de Vinhedo (Patrono Rubem Alves). Também dona da cadeira imortal n.22 da ALUBRA - Academia Luminescência Brasileira, de Araraquara. E da cadeira n.6 da AMCL - Academia Mundial de Cultura e Literatura (Patrono Fernando Pessoa). Ganhou diversos prêmios literários e se considera apenas uma poeta entre mil, mas mil poetas em uma só alma.



HEI...
(Cântico n.7)
**
Hei de brotar feito flor,
feito lótus no charco,
ou como rosa de andor.

Hei de rir feito cascata,
e ser luar de primavera,
tecido a fios de prata.

Hei de fixar um novo marco,
vencer a guerra e essa espera,
atirando com o meu melhor arco.

Ah, hei de ser-te o Amor / Amigo,
enquanto te bendigo ou reclamo.
Mas, por enquanto, apenas digo :

- Eu te amo !
***


EU TE AMO !
(soneto n.270)
*
Hoje queria apenas ser caça,
entregar as ânsias secretas,
matar estas dores inquietas,
permitir-me estar bem lassa.

Hoje não queria ter mordaça,
nada de normas nem metas,
esquecer de rima, de poetas,
tornar-me só fogo... e fumaça.

Ah! Me abraça tremendo desatino,
um querer tão forte... quase ferino,
que de "meu menino" eu te chamo.

E, no imo, minhas forças me deixam
pois, no coração, letras se enfeixam -
gritando claramente um "Eu Te Amo"!
***
Silvia Regina Costa Lima
6 de junho de 2012
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" CRIAÇÃO "
*
Minhas mãos
pousam leves sobre as teclas
do piano tocando com alegria
e como as aves adejam
contentes numa ventania
assim minhas letras ondeiam
a mergulhar na fantasia
e as brancas páginas beijam
criando ( sobre elas ) a Poesia.
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( Silvia Regina Costa Lima ) 


Sina de Poeta
*
Eu, estrela de perdida nebulosa
(e ao pés do mar arremessada)
sou uma pequena e serena rosa
que somente deseja ser amada.

Eu, poeta de mil versos (e prosa)
unidos em guirlanda coroada,
sou a alma que o Amor esposa
- sempre sensível e encantada.

Hoje venho libertar as borboletas
e derramar os potes de purpurina,
meio azuis... amarelos ... violetas.

Escrevo muitas palavras no papel
(posto ser essa a minha sina)
depois rimo com tintas e com mel!
*****


SEIVA
(Soneto n.175)
*
Em mim, nasce a seiva sublimada
e, bem misteriosa, ela se entrega
para ser ternamente fecundada
pelo amor que meu Amor carrega.

E ela vem... sem hora traçada,
é tão pura que permanece cega,
é tão bela que é carta marcada
- nessa luz que por mim navega.

Do azul rosado desta bela aurora
descem gotas sobre mil violetas,
uma cor que nos lembra outrora.

Entre as asas leves das borboletas
dança essa flor (que depois chora)
e se eleva mui acima dos cometas!
***
Silvia Regina Costa Lima
28 de dezembro de 2010


MINHA LASCÍVIA
(soneto n.150)
*
Uma luz castanha...e muito viva,
nasce nos teus olhos de ardores
se, pra mim, és o rei dos pastores,
é que moves minha expectativa.

Ah! Que adianta ser eu esquiva,
se dia e noite sonho teus amores
seguindo contigo (por onde fores)
de mim mesma a eterna fugitiva?

Ai! que, por ti, vivo embevecida,
capaz de lascívia... de desatino,
mui cativa a ti - por meu destino.

Sou tua (em fantasias vivo perdida)
e te desejo em todos os momentos
sufocada em paixão e sentimentos!
*
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Silvia Regina Costa Lima
Publicado no Recanto das Letras
em 16/08/2010