Cadeira 08 - Lurdes Rebelo


Maria de Lurdes Martins Rebelo nasceu a 1 de Outubro de 1957 em Terras de Bouro Distrito de Braga. A residir em Braga desde os 9 anos de idade Formação académica: 12º ano - Escola Secundária Carlos Amarante e Escola Secundária D. Maria II em Braga. O gosto pela, escrita começou aos 15 anos e com 16 comecei a publicar os meus primeiros poemas num jornal local "Tribuna Livre". Deixei de escrever durante muitos anos e há cerca de 2 anos o bichinho da escrita voltou. Participei nas colectâneas de Poesia: A Lagoa e a Poesia / A arte pela Escrita Oito / Apenas saudade e Um Litro de lágrimas Em 29 de Junho de 2016 publiquei o meu primeiro livro intitulado "A Voz do Silêncio" O que me caracteriza: Sou uma romântica solitária, humilde e sincera As qualidades que mais prezo no ser humano: Humildade e sinceridade. Pensamento: "Se nada mudar na tua vida exceto a atitude, tudo muda!"



Paz e Solidariedade Todos os Dias

Limpe as lágrimas
de quem chora
conforte os corações
sem esperança
ofereça abraços, sorrisos, palavras
ao idoso, ao sem abrigo, à criança
a todo o ser seu irmão
não exite, estenda a mão
e viverá em harmonia
com mais paz no coração
Ofereça presentes
bondade solidariedade e carinho
enfeitados com laços de ternura
faça-o com muito amor
e irá atenuar muita dor
Com esplendor e energia
sonhe, almeje, concretize
aja, reaja, abrace, sorria
espalhe alegria
doe-se em gestos, ame, viva...
com energia vital
e num luzir de emoções
receba todos os dias
O calor dos corações
sorrisos...afetos...magia
como se fosse Natal!


Há vinte e nove anos que tão abruptamente partiste
Meu amor
Vinte e nove anos sem ti...
A despedida deixou-me perdida
A luz que iluminava o meu canto escuro
Apagou-se...
Dói tanto a cada dia que passa!
Vinte e nove anos, sem olhar nos teus verdes olhos
Acordar a teu lado e dar-te um beijo de "bom dia"
Vinte e nove anos, de tristeza e solidão
De saudade dentro de mim
Vinte e nove anos à deriva
Sem ter o teu apoio, o teu carinho
Tão puro...Tão teu!
Não suporto a tua ausência
Sinto tanto a tua falta!
No meu peito, pulsava felicidade
Agora pulsa dor e saudade
Perdi o sentido da vida
Numa névoa de sentimentos de tristeza
Ainda dói tanto a despedida
Os teus retratos permanecem no mesmo lugar
E no meu coração, a dor...
As manhãs são frias
Os dias tristes
E as noites solitárias
Invades meus sonhos
Por vezes pesadelos
Acordo em desespero
Mergulho nas manhãs
Inevitavelmente e completamente vazias
Foste um Anjo na terra
Se existe céu
Sei que estarás entre os Anjos
Onde quer que estejas
Meu amor...
Cuida de nós!


O MENINO TRISTE

Vi um menino descalço e triste
De roupas sujas, rasgadas
As lágrimas lavavam-lhe rosto
Caindo-lhe dos olhos verdes como as águas
Porque choras menino triste
Perguntei pegando sua mão
Tenho fome e tenho frio ... respondeu
Lá em casa não há pão
Perante tão cruel realidade
Que me fez doer por dentro
Com um aperto no peito
Sem saber o que dizer
Peguei o menino pela mão
E lhe dei uma refeição
Dos seus olhos brotavam gotas
Fecundadas pela miséria
Um anjo puro inocente
De olhar doce e cativante
Uma alma que viaja sem maldade
Um ser humano, pequeno e frágil
Vítima da crueldade
Deste mundo atroz infame
Percorrendo aquelas ruas
Com lágrimas num olhar triste
Desconhece a felicidade
E sozinho sofre...resiste
Todos os dias eu corria
No mesmo sítio ali estava
O menino de olhos verdes como as águas
À mesma hora por mim esperava
Quando me via sorria
O seu olhar transparecia alegria
Porque a fome eu lhe matava
E de voz rouca e mansa agradecia

Se cada um de nós estendesse
A mão a uma pobre criança
Deixaria de haver miséria
Passaria a haver mais esperança
Acredito num mundo ideal
Com homens de amor mais profundo
Cuidemos de todas as crianças
Que são o melhor do mundo

Lurdes Rebelo


CANSAÇO

Nesta tarde, onde os ventos trazem
Somente amargura
Queria descansar nos teus braços
O cansaço desta vida
O cansaço que carrego
E que já não cabe em mim

Enfrentar contigo as durezas do dia a dia
Amar-te em verdade e transparência
Nas noites e nos poentes
Sinto os meus sonhos triturados pelo mundo
A luz do dia mostra-me os destroços
Tenho um sem fim de saudades sufocadas
Medos que me afogam aos poucos

Dói-me a tua ausência
A desilusão se entranhou em mim
É inverno frio dentro do meu coração

Desenho os meus pés na areia dourada
Olho a lua espelhada no mar
O barulho das ondas irrompe no cais
Sento-me numa rocha, envolta num vago abandono
Numa angústia fria...

Na minha amarga ansiedade
Deixo correr as lágrimas nos olhos suspensas
Clamo teu nome num incontido pranto
Nesta noite que insiste em trazer dor e cansaço...
Quero dormir num barco abandonado
Porque hoje, em mim, só resta o desencanto


LEVA-ME

Leva-me a ver o mar na noite calma
Em dia de maré vasa
Leva-me a contar as estrelas
Leva-me a olhar os místicos reflexos da lua espelhada no mar
E deixa-me permanecer assim, no silêncio do teu abraço
E se porventura sentires o deslizar de uma lágrima
Enxuga-a com carinho
São os meus olhos que desabrocham num grito
E te imploram para que fiques
Deixa que a lua nos una num beijo
Deixa cair na minh'alma
A luz do teu sorriso
E diz-me apenas
Que é o fim da solidão.

Lurdes Rebelo
https://www.facebook.com/Pensamentoslurebelo/?ref=hl
ISBN: 978-989-691-496-7


numa voz doce e tão peculiar
ouvi sussurrar meu nome
um calafrio percorreu-me o corpo
sim...eras tu!
deitado a meu lado, a espargir o teu perfume
sorrias para mim...
o teu sorriso transformou os meus olhos em pérolas
abraçaste-me com aquele jeito só teu
os nossos corações batiam em uníssono
sussurravas-me palavras ao ouvido
afastaste-me os cabelos, afagaste-me o rosto com ternura
calaste-me as palavras com beijos
as lágrimas corriam-me pelo peito
aconchegaste-te no meu colo, como uma criança assustada
e pediste-me que não te deixasse voltar a partir
amamo-nos até madrugada
matamos a saudade que nos mutilava a alma
num sentir tão genuíno, tão nosso!
abraçaste cada suspiro
e bebeste cada gota de suor, nos meus poros arrepiados de prazer
na minha pele, desenhaste a palavra saudade e
tatuaste-a com beijos de mel
nossos corpos saciados, tombaram exaustos
choramos...rimos
como dois adolescentes apaixonados
despertei no cantar de um rouxinol
de pele pálida...desaurida
adentrou-se a dor a rasgar-me o peito
na angústia calada, meus olhos verteram sal
e o arco íris do meu sonho
transformou-se em tempestade
o sonho... foi tão intenso, tão breve...
mas tão real!

Lurdes Rebelo
https://www.facebook.com/Pensamentoslurebelo/?ref=hl
ISBN: 978-989-691-496-7


VELHICE

Nos provisórios dias deste mundo
A velhice nos aflora lentamente
Fogem as horas... os dias...os anos
Surgem as dores do corpo e da mente
Ficam nossos passos inseguros
A memória se recusa a olhar em frente
O tempo não perdoa é inexorável
Aos poucos vai-nos tornando diferentes
Por imposição da crueldade
Contamos histórias da juventude
E vivemos sofrendo de constante saudade
Lágrimas molham nosso rosto
Nos lábios sentimos o gosto
Do amargor de uma vida
Da perda da mocidade
Taciturno de pálpebras baixas
Um rosto tostado, enrugado
Um olhar enfraquecido
Marcado pela idade
Daqueles que o tempo esqueceu
Olhando o horizonte
Que se apaga lentamente
De boca amarga e alma triste
O corpo se faz resignado
Muitos morrem de indiferença
Sozinhos de semblante fechado

Lurdes Rebelo
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ISBN: 978-989-691-496-7


Olho o teu retrato
grito a saudade que não cabe no peito
a dor que não me cabe na alma
Sinto afetos nas mãos, mais do que me cabem
Sinto falta do tempo...
Sinto falta das palavras perdidas, não ditas
Da inocência da alma
Sinto falta de ti!
Deixa-me afagar
os alvos fios sedosos que te restam
Deixa-me acariciar
as doces rugas do teu rosto cansado
Deixa o meu coração sentir
o calor do teu abraço
Deixa-me pegar nas tuas mãos
olhar-te nos olhos
e dizer-te apenas
amo-te tanto!
Porque pode ser a última vez...
MÃE!


LEVA-ME

Leva-me a ver o mar na noite calma
Em dia de maré vasa
Leva-me a contar as estrelas
Leva-me a olhar os místicos reflexos da lua espelhada no mar
E deixa-me permanecer assim, no silêncio do teu abraço
E se porventura sentires o deslizar de uma lágrima
Enxuga-a com carinho
São os meus olhos que desabrocham num grito
E te imploram para que fiques
Deixa que a lua nos una num beijo
Deixa cair na minh'alma
A luz do teu sorriso
E diz-me apenas
Que é o fim da solidão.


porque choram os meus olhos se o sol brilha
porque me rendo ao som do eco do vento
porque se fundem minhas lágrimas com a chuva
porque no peito só há dor e sofrimento
porque é pesada a noite, é tormento
porque é puxada a saudade pelos fios da memória
porque sinto um frio extremo no sentimento
porque me fere a alma o barulho na madrugada
porque teimam estas lágrimas em salgar-me a boca fechada
porque no sufoco da espera
eu não sei se os meus pés aguentarão a jornada
porque desconheço
onde me levará esta longa estrada!

Lurdes Rebelo
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ISBN: 978-989-691-496-7


LIBERTAÇÃO

Soltem-me as amarras e tirem-me esta venda dos olhos
Sinto náuseas e um cheiro nauseabundo a enxofre
Não há luz, não há sons, só um calor bolorento
Vivo muda e queda no asfixiante silêncio
Neste lugar de imperfeição, chamado mundo
Mastigo cada sílaba das palavras que me amputam a alma
Adensam-se os medos em mim
Parece que vivo nas trevas
Abram as janelas quero ver a luz
Abram a porta, deixem-me sair
Quero ver o sol... quero ver a luz
Quero ver o mar...
Quero desenhar um arco-íris no olhar
Voar nas asas de uma borboleta
E pousar nas flores azuis da minha infância

Lurdes Rebelo
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ISBN: 978-989-691-496-7


NAS CORES DO ARCO-ÍRIS

com a inocência no olhar
espalha ternura e esperança
o vento dócil molda o seu corpo franzino
e enche-lhe a alma de sonhos puros
nos seus olhos nascem castelos no céu
inventa histórias nas cores do arco-íris
com um doce brilho nas pupilas
de sorrisos fartos, sempre vestida de vida
perde-se nas horas, no tempo
olha a sua imagem refletida num espelho de água
enquanto pinta sonhos na palma da mão
e à tardinha, quando o sol foge no horizonte
com o olhar radioso, em silêncio
na luz divina e reluzente do céu
conta as estrelas uma a uma
Ah...como eu queria voltar a ser criança
correr descalça na liberdade
dos verdes campos salpicados de papoilas
seguir os carreirinhos de formigas
procurar um trevo de quatro folhas
desfolhar um malmequer e chapinhar nos charcos
acreditar no pai Natal, no coelhinho da Páscoa
e em fadas
partir a cabeça e esfolar os joelhos
e à noitinha, já cansada
na hora de rezar o terço
na inocência da idade
adormecer como um anjo
à lareira, no colo da minha avó
ao som das Avé Marias
...na memória ainda trago o gosto,
os cheiros...os sons
e as cores da minha infância

Lurdes Rebelo
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faz-se breu
os ventos agitam a noite
o frio arrefece a alma
o sono tarda
no soluçar do tempo
procuro pedaços de ti
no vazio das minhas mãos geladas
o silêncio amplia o teu rosto na minha mente
na penumbra da ausência
engulo a saudade
a tristeza e a angústia rondam os meus sonhos
acorda o dia...
nas manhãs sem mistérios, sem sorrisos
o sol invade o quarto e lê no deserto dos meus olhos
a saudade de morrer um pouco...
todos os dias, no teu abraço.

Lurdes Rebelo
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