Cadeira 104 Honorário - William Shakespeare // Romário Silva



William Shakespeare (1564-1616) foi um dramaturgo e poeta inglês. Autor de tragédias famosas como "Hamlet", "Otelo", "Macbeth" e "Romeu e Julieta". É considerado um dos maiores escritores de todos os tempos.

William Shakespeare (1564-1616) nasceu em Stratford-upon-Avon, no condado de Warwick, Inglaterra, no dia 23 de abril de 1564, onde iniciou seus estudos. A família empobrecera e aos 15 anos foi trabalhar no açougue do pai. Com 18 anos, casa-se com a aldeã Anne Hathaway, oito anos mais velha que ele. Suas dificuldades financeiras se agravaram com o nascimento da filha e em seguida dos gêmeos.

Em 1586, abandona o lar e muda-se para Londres, onde se emprega como guardador de cavalos na porta do teatro. Logo estava prestando serviços nos bastidores, copiando peças ou representando pequenos papeis. Nessa época, período do reinado de Elizabeth I, Londres vivia uma intensa atividade artística. Shakespeare estudou muito e leu autores clássicos, novelas, contos e crônicas, que foram fundamentais para sua formação de dramaturgo.

Shakespeare passou a ser o copista oficial da companhia, representava e adaptava peças de autores anônimos. Logo estava escrevendo o maior número das peças apresentadas no Teatro Globo, ocupado pela companhia de Burbage, da qual fazia parte.

A obra de Shakespeare abrange aproximadamente 40 peças, entre comédias românticas, tragédias e dramas históricos, divididos em quatro fases que acompanham a evolução do autor. A primeira fase vai de 1590 a 1595. São desse período: "Henrique IV", Ricardo III "A Comédia dos Erros" e "Titus Andronicus" e "A Megera Domada". "Os Dois Cavaleiros de Verona", "Penas de Amor Perdido", "Romeu e Julieta", "Sonho de uma Noite de Verão" e "O Rei João".

De 1596 a 1600, a segunda fase, escreve "O Mercador de Veneza", "Júlio César", "As Alegres Comadres de Windsor", "Muito Barulho por Nada", "Henrique V", "Como Quiseres" e "A Duodécima Noite".

De 1601 a 1608, o período mais importante, escreveu: "Hamlet", "Tróilo e Créssida", "Tudo Está Bem Quando Acaba Bem", "Medida por Medida", "Otelo", "Rei Lear", "Macbeth", "Antônio e Cleópatra", "Coriolano", "Timon de Atenas" e "Péricles" De 1609 a 1612, escreveu suas últimas obras: "Cimbelino", "O Conto de Inverno", "A Tempestade" e "Henrique VIII".

William Shakespeare foi também poeta e escreveu mais de 150 sonetos. Publicou três livros em estilo renascentista: Vênus de Adônis (1593), Lucrécia (1594) e Sonetos (1609).

Em suas obras, Shakespeare teve o dom de captar com igual maestria as paixões mais turbulentas e os sentimentos mais puros, a mais rica alegria e o mais penoso desespero. Foi magistral o traço dos personagens que povoaram seu mundo. De Romeu e Julieta fez a personificação do amor frustrado. De Otelo, o protótipo do ciumento. Do Mercador de Veneza, o usuário materialista por excelência. De Macbeth, o resumo da ambição e do remorso, sendo considerada a obra mais trágica do autor.

A fase das tragédias sérias e maduras é a mais importante na carreira de Shakespeare. Hamlet, embora criticada por muitos da época, é considerada sua maior criação. O enredo encarna o dilema do homem de intensa vida espiritual, que busca a essência das coisas enquanto é obrigado a tomar uma atitude decisiva. No célebre monólogo "Ser ou não ser, eis a questão", o Príncipe Hamlet quer, dormir e sonhar, mas indaga se o sonho da morte não será um sonho como os outros. Hesitante entre a fria execução de uma vingança e o sentimento de piedade, Hamlet rebela-se contra o destino.

William Shakespeare juntou em sua obra, aspectos e características do estilo de vida inglês. As citações conhecidas da cultura anglo-saxônica e os folclores antigos foram incrementados de forma organizada, num estilo peculiar. Suas peças foram encenadas pela Europa inteira, influenciando outros dramaturgos, inclusive, sobrepondo-se ao teatro francês, alemão e italiano.

Depois de acumular alguma fortuna, Shakespeare volta para sua cidade natal, entrando em processo de reclusão, que durou até o fim de sua vida. William Shakespeare faleceu em Stratford-upon-Avon, no dia 23 de abril de 1616.


Soneto 116

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

William Shakespeare


Soneto LXV

Se a morte predomina na bravura
Do bronze, pedra, terra e imenso mar,
Pode sobreviver a formosura,
Tendo da flor a força a devastar?
Como pode o aroma do verão
Deter o forte assédio destes dias
Se portas de aço e duras rachas não
Podem vencer do tempo a tirania?
Onde ocultar - meditação atroz-
O Ouro que o tempo quer em sua arca?
Que mão pode deter seu pé veloz
Ou que beleza o tempo não desmarcar
Nenhuma! A menos que este meu amor
Em negra tinta guarde o seu fulgor.

William Shakespeare



SONETO CV

Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.

William Shakespeare


~ Soneto 35 ~

Não chores mais o erro cometido;
Na fonte, há lodo; a rosa tem espinho;
O sol no eclipse é sol obscurecido;
Na flor também o inseto faz seu ninho;

Erram todos, eu mesmo errei já tanto,
Que te sobram razões de compensar
Com essas faltas minhas tudo quanto
Não terás tu somente a resgatar;

Os sentidos traíram-te, e meu senso
De parte adversa é mais teu defensor,
Se contra mim te escuso, e me convenço
Na batalha do ódio com o amor:
Vítima e cúmplice do criminoso,
Dou-me ao ladrão amado e amoroso.

William Shakespeare


~ Soneto 18 ~

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

William Shakespeare