Cadeira 107 Honorário - Nestor Tangerini // Nelson Marzullo Tangerini


Nestor Tambourindeguy Tangerini (Piracicaba, 23 de julho de 1895 - Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 1966) foi um compositor brasileiro teatrólogo,poeta caricaturista e professor de língua portuguesa.

Tio da atriz Marília Pêra. Iniciou o curso primário em Manaus, capital do Amazonas e terminou seus estudos em Belém, capital paraense. No Rio de Janeiro, estudou no Mosteiro de São Bento. Cursou Farmácia e Direito. Foi membro da U. B. C. Foi casado com Dinah Marzullo Tangerini, ex-atriz da Companhia Alda Garrido, e que era filha da atriz Antônia Marzullo. Era deficiente físico e visual: não tinha o braço esquerdo e a vista direita, perdidos em dois acidentes.

Teve seu primeiro trabalho publicado em 1922, o soneto "Coisas do Rio" na revista "A maçã". Em 1931, compôs letra e música para o samba "Teu corpo é meu", e fez letra para o samba "Samba da meia noite", de Ildefonso Norat, incluídas na peça "Teu corpo é meu" de sua autoria e encenada no Teatro Rialto naquele mesmo ano. O "Samba da meia noite" foi gravado no mesmo ano por Ildefonso Norat e Dina Marques com acompanhamento do Conjunto Columbia. Foi diretor artístico da companhia de revistas Jardel Jércolis. Foi autor da revista "No tabuleiro da baiana" apresentada pela Grande Companhia de Burletas e Atrações no Pavilhão Teatro Floriano. Foi autor ainda das revistas "Tudo pelo Brasil", com Luiz Leitão, "Cadeia da sorte", "Na boca da hora" e "Lição domésticas", estas últimas em parceria com Aldo Cabral. Para o carnaval de 1933 compôs com Otaviano Romeiro a marcha-rancho "A cor que eu gosto". Em 1935, teve apresentada pela Companhia Jardel Jércolis a revista "Estupenda", levada à cena no Teatro Carlos Gomes. Fez em 1937, com Benedito Lacerda, a valsa "Dona felicidade" gravada por Castro Barbosa na Victor. Em 1946, a cançoneta "Tua carta", com Ronaldo Lupo, foi gravada pelo parceiro pela Continental. Em 1950, fez com Ronaldo Lupo a cançoneta "Vou desistir de namorar" gravada por Ronaldo Lupo na Continental. No mesmo ano o fox "Depois eu conto", parceria com Ronaldo Lupo, foi lançado na Todamérica na voz de Ronaldo Lupo. No ano seguinte, escreveu com Aldo Cabral e Mary Lopes a revista "Chuva de estrelas" estreada no Teatro Casa Blanca, no Rio de Janeiro, da qual fez parte o fox-cançoneta "Garçonete", com Aldo Cabral, interpretado pela vedete Mara Rúbia. Em 1952, teve o samba "Manon", com Alice Alves, gravado por Ronaldo Lupo. Em 1955, o samba "Não me convém...", parceria com Ronaldo Lupo, foi lançado na gravadora Columbia por Ronaldo Lupo, seu mais constante parceiro e intérprete. Em 1956, teve gravado na Mocambo o fox-canção "Cinco sentidos", com Ronaldo Lupo, na voz de Ronaldo Lupo. Em 1958, o fox-humorístico "Depois eu conto", parceria com Ronaldo Lupo, foi lançado por este último. Faleceu de câncer em 1966. Na ocasião foi saudado pelo compositor Aldo Cabral em artigo publicado na revista da U. B. C. no qual afirmou "Poeta como poucos, Tangerini versejava em qualquer gênero, sempre espontâneo e correto".

Faleceu em 30 de janeiro de 1966.


OS POETAS

Vai-se o primeiro explorador da musa...
Vai-se outro mais... mais outro... enfim dezenas
De poetas vão-se do Paris, apenas
O relógio da casa uma hora acusa.
E na noite seguinte a tropa intrusa,
Cantando em versos loiras e morenas,
Chorando as mágoas, desferindo as penas
À caixeirada deixa semi-fusa...
Também do botequim, onde os fregueses
Fazem lanches, um por um gringos, franceses,
Vão-se como esses vates imortais.
No lajedo da rua as pernas soltam,
Correm! Para o Paris os poetas voltam,
Mas os fregueses - qual! - não voltam mais. (4)

(4) Publicado na revista COLYSEU,
Niterói, RJ, julho de l924,
com o pseudônimo João do Paris.

PARALELEPÍPEDO

Jóia és. Jóia sendo, alfombras, belo,
as, em que piso, príncipe do verso,
ruas de Niterói, ninho meu terso,
onde nasci de em punho camartelo.

És um lyrio (com i grego), lyrio imerso
da Grécia nos paús. E inspiras melo-
péias à lira minha. Em doce anelo,
nesta por ti mil sons, sons mil disperso.

Dentro, mesmo, da forma, que tens linda,
piramidal te me deparas inda,
para da minha, orgulho, bigodeira.

E, na piramidez platifulgente,
és o que eu sou: és, finalmente,
os versos meus. - Alberto de Oliveira. (*)

(*) Do livro NA TABA DE ARARIBOIA,
DE NESTOR TANGERINI,