Cadeira 108 Honorário - Marcelo Allgayer Canto


Bacharel em Administração de Empresas pela PUC/RS, com pósgraduação em Administração Hospitalar pela Faculdade São Camilo. Exerce atividade profissional no Ministério da Fazenda de Porto Alegre/RS. Licenciado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica. É coautor de antologias e coletâneas literárias. É autor dos livros: "Sentidos poéticos e algumas histórias", "Algum escrever poético", "Sobre poesia e outros assuntos", "Inocência da vida" , "Libertação e amor" , "Caminhos e reflexões de um poeta".  


Absorto, absorto, absorto
Centrifugação, grande mal
Desvinculação, grande desejo
Andar leve
Sem ser absorto, não morto
Meu cais do porto.

Poesia é isso: estado absorto
Jogar com o ser
Criar algo mágico
Que transborde e ilumine
O que algo deprime,
Mas que depois de criada
Poesia é uma filha amada!


Terá a poesia verdades!?
Enquanto os saxões munem-se de balas,
Alguns do sul armam-se de palavras
E nas estrofes criam poemas
Para em metáforas fazerem balas
Atingindo os corações com sentimentos.
Avisando as mentes menos motivadas
Por ideologias saturadas
Quer a latência do viver
Tese novas para alguma antítese aparecer
E um dia a verdade vir á tona.
Platão, que na filosofia ensinou muitas coisas
Impulso deu aos filósofos de então
E os cientistas estimulados fazem fórmulas
Para nosso bem-estar, procurando a salvação!
Vidas á procura de utilidades
Estimuladas por religiões criadas
Que muitas vezes são manipuladas
Dando aos homens escolhas diferentes.
São entes e estão á procura de verdades
Seja de Deus ou de sábios coerentes.
Talvez seja tudo fruto da onipotência
Ou das magias humanas
Concebidas pelo acaso do existir,
Mas a poesia será sempre mensageira
Arte que faz pessoa refletir
No agora e de forma lisonjeira!


O homem tem que conviver com o mistério da sua própria existência e é bom que seja assim"
Sentimentos das ruas pisadas da cidade
Autor: Marcelo Allgayer Canto 


A interação e afeto e interação virtual

"O afeto humano cresce quando alguém percebe o estado solitário de uma pessoa"
"A interação humana é mais prazerosa no olho humano do que no olho para com alguma máquina"
Marcelo Allgayer


Tempo de tudo (uma reflexão sobre a passagem humana)

Conta-se o tempo de tudo. O tempo que se esvai pelos ponteiros dos relógios; tempo... A passagem breve de uma vida que mergulha na existência, afundando-a a cada minuto, horas, dias... Tempo tão efêmero; porém, eternizado no lapso constante da sorte de respirar.
Mas como são gostosos alguns tempos contados. Tempo das festas de aniversário, dos esperados fins de semana, dos passeios de carro, ônibus, barcos; das caminhadas com amigos. Tempos gerados pelo encanto de qualquer partida; tempo que volta: em que a natureza da vida suspira aliviada.
Por outro lado, como existem facetas diferentes em cada tempo. Tempo de tantos comportamentos; tão estimulantes e, por vezes, tão apáticos que geram conformismos. Sim... Cada face humana, animal, influi em cada instante vivido, cada passado, presente, ou futuro.
Desta maneira, com caras felizes um tempo é contagiado. Inebriante tempo: apreciado e vivido verdadeiramente. Mas com qualquer dor, o sofrido tempo arrebata, destrói; é como não existisse o tempo, ou um vácuo constante do nada. A vida morre, talvez não literalmente, mas morre por dentro: a cada segundo do tempo.
Em outros casos, como são incertos tantos tempos. Tempo do medo, da inquietude, da latente vida que não aparece; despreparado tempo vivido por pessoas. Tempo...
Venenoso, gerado pela malícia dos que nos incomodam, dos que talvez não mereçam o tempo que têm; tempo fragilizado, dos oprimidos, dos pobres, dos que lutam para serem fortes.
E o futuro tempo. O tempo que não existiu e não existe. O que diriam os profetas sobre esse tempo? Seria o tempo só de Deus, só das estrelas que vão brilhar? Tempo misterioso. Quase perfeito, quase que ainda não veio. Outros tempos...
Assim são todos os tempos. Tempo de tudo, tempo de nada, do passado, dos que vivem, viverão, ou do tempo que não nasceu, mas está por vir.
Marcelo Allgayer

Um dia eu quis saber

Um dia eu quis saber
Sobre o sentimento do marujo,
E também quis saber
Sobre os sertanistas das selvas.

Um dia eu quis saber
Sobre o sentir dos aviadores,
Dos que descobrem os céus,
Saber sobre seus suaves pousos.

Um dia eu quis saber
Sobre a água, a terra e o ar.
Sentir as suas concepções,
Sentir o que os homens sentiram
Quando passaram por tormentas
Para alcançar mares tranqüilos.
E quando pelos matos acharam
Tesouros escondidos.
Sentir o céu, a paz,
Eterna morada.


O velho dia

A lua apareceu em pleno crepúsculo
Deu graças ao dia
E aos seus finitos raios solares.
A noite veio agradecendo o pôr-do-sol.

Madrugada chegou acompanhando a noite
Com o silêncio das almas.

Veio o amanhecer.
O sol acordava formoso galo.
O dia agradecia o sol,
Pois tinha de ser assim...

Do final da tarde ao amanhecer
O dia renasce
E a natureza compõe o tempo
Como se fosse regente
De uma música sem fim.


A poesia nasce quando falta algo em uma vida, quando se percebe que se precisa jogar pra fora algo interno; pretende-se com a poesia encantar, viver melhor e, consequentemente, apoiar-se nas palavras; a construção de um poema pode vir de experiências do dia a dia, do cotidiano, talvez a maior das fontes de inspiração deste gênero literário. Quando estamos tristes também vem inspiração ou até mesmo transpiração, não importa. O importante é ir ao encontro da poesia, seja qual for o motivo, talvez por ser menos complexa em sua realização, aparentemente, ela encontre mais vazão. Digo isso porque a poesia não requer formalidade ou o respeito às normas gramaticais, ou coisa que o valha. Por isso ela é espontânea, isto é, brota desde o coração mais duro ao mais alegre, seja qual for o momento de vida, de humor, de simpatia ou de amor a uma pessoa. Poesia é tudo isso e muito mais: é a beleza de recitar um verso a outra (s) pessoa (s), alguém que está precisando de uma palavra amiga, é a beleza de quem escreve de ter os seus sentidos saciados. Quem escreve, em minha opinião, nunca menosprezará a poesia!

Marcelo Canto


Fazer as pazes,

Amar o impossível amor,

Amigar a destruição amiga,

Atravessar os muros

Que separam os indivíduos

É construir a paz.

A cristã, ou outra mística paz,

A paz que não era dos pagãos

Pois acabou pelas dívidas,

A paz que o cessar da saudade trouxe

Pela volta das idas, das partidas,

A paz que se construiu

Pelo construir de uma casa,

Pela não mais briga com o vizinho.

Construir a paz...

Inaugurar mais um elo,

Instruir ao que insiste em vacilar

Pelo erro de guerrear,

Construir uma atmosfera pacífica

É herança que se dignifica.

Marcelo Allgayer Canto