Cadeira 114 Honorária - Maria Luíza Faria


Maria Luiza Faria Gonçalves, que assina suas obras como Maria Luiza, nasceu em Itaúna no Estado de Minas Gerais - Brasil Bibliotecária, escritora e poetisa. Movida pela poesia que comove. Uma paixão irresistível desde a infância, ouvindo contosa e estórias de vida narrada pelos seus pais. Escrever é uma ousadia da alma que ousa arriscar. É um dom... Abençoado que traz sentido aos dias, à vida. Respira poesia.. Busca a poesia em suas variadas formas. Espalhar poesia é a missão de quem recebe esse abençoado dom.



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Queria hoje, um pouco mais de ti.
Um pouco mais de tua permanência.
Um pouco mais do riso, que te faz desenhos inteiros no rosto firme e suaviza teu perfil grave...
Um pouco mais do teu jeito que toca, sem tocar, e depois deixa impressões infinitas no meu querer...
Queria hoje, o que eu quero todos os dias.
Um pouco mais de tua urgência.
Um pouco mais do que vela tua alma, e traduz teus pedidos ocultos, que eu sei ser imensidão...
Um pouco mais do teu sopro, que sopra em mim todos os poemas impregnados de paixão.
Queria o toque...O suave toque e a permissão.
Queria hoje, um pouco mais de mim em ti.
ML 


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Eternizamo-nos naquelas horas escondidas
Quando não havia tempo além das janelas,
Quando o céu nos consagrava
Sem sombras,
O pecado redimido
De simplesmente amar...
O teu olhar consumia o meu
E as vestes eram inúteis
_ Vestíamos pele e desejo
E a cumplicidade de cada instante _
O que ocupa esta ausência
São os sons memorizados
Sussurros embalsamados
De tudo aquilo que nós,
Apenas nós,
Na quietude já antecipada da saudade,
Guardamos como essência...
Essência de paixão infinda...
M.L.


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Era em teus olhos
Que eu via as raras cores do crepúsculo.
Os raros tons de permanência,
Na quietude dos teus olhos desenhando esperas.
Sorriam em silêncio,
Enquanto os verbos precisos se libertavam,
E eu decifrava os contornos do céu dos teus sonhos.
Eram teus olhos lembrando esperança
E o sossego de varandas quietas,
De tardes conduzidas pelo esforço do vento
Em segredar ternura.
Eu via-te
Desejando asas resistentes para voos sem limites,
Mas com a certeza das canções aguardando tua volta.
De música eram desenhados teus poemas raros,
Tua maturidade concebida nas perguntas
E nos desavisos,
Hóspede de baús enfeitados de pequenas angústias
E cristais de leveza.
Nos teus olhos
Eu via a cristalina limpidez das chuvas da alma,
Lavando a secura para cultivar a poesia teimosa,
Criar bulbos de afetos intensos e sensibilidade genuína.
Nos teus olhos...
Inesquecível olhar que me conduziu
Pelos labirintos das lembranças
Enquanto anjos adormeciam no consolo das noites desiguais... Enquanto a voz antiga sussurrava em meus sonhos
E tudo mais era incerto.
Por teus olhos eu me encantei,
Quando não era mais possível deixar de te amar.
ML


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Eu disse sim,
Porque eu tinha sonhos.
Ingênuos, simples, mágicos em poesia e essência.
Então eu disse.
Acreditava no céu dos vinte anos.
Nos olhares com resquícios de adolescência.
No silêncio que diz tudo.
Nem era preciso mais do que um sorriso farto de confissões...
Mais do que um toque suave das mãos
Ou de algumas horas de segredos da alma,
Sendo revelados numa tarde vestida de verão.
Porque era verão.
Sem pecado e sem ranhuras.
Cheio de juventudes e esperas...
Fontes e crepúsculos.
Era verão.
Havia sombras e murmúrios que diziam poemas ocultos.
Havia sardas leves no rosto
E sopros de desejos na maturidade ainda imperfeita.
Mas havia intensidade nos verbos filtrados,
Precocemente conhecidos.
Havia sentir.
Havia o olhar...
Fôlego preso na descoberta surpreendente.
Eu disse sim,
Porque meu coração queria...
Porque minha alma pedia.
Era verão...
Mas não verbalizei meu sim.
ML