Cadeira 18 - António Agostinho Neto // Domini Wassandjuca


Político, médico e poeta, António Agostinho Neto, nascido a 17 desetembro de 1922, foi o primeiro presidente da República Popular deAngola. 
Desde cedo um opositor do domínio colonial português, foi por váriasvezes detido em Lisboa, onde se licenciou em Medicina, e em Cabo Verde.Em 1962, fugiu para Marrocos, onde se juntou ao movimento de libertaçãono exílio. No mesmo ano foi eleito presidente do Movimento Popular paraa Libertação de Angola (MPLA). Nessa qualidade, proclamou, a 11 denovembro de 1975, a independência do país.
Colaborou em várias revistas, jornais e publicações culturais e publicoudiversos livros, dos quais se destacam o seu primeiro livro, Náusea (1952),Quatro Poemas de Agostinho Neto (1957), Com os Olhos Secos (1963) eSagrada Esperança (1974). Recebeu o prémio Lótus (1970) e o PrémioNacional de Literatura (1975). Morreu a 10 de setembro de 1979, naRússia. 


Paredes velhas
Os velhos monumentos
erguidos para serem por mim venerados
hei de derrubá-los
Essas paredes velhas
construidas por egoístas
e que nos não lembram de mim
hei-de destruí-las
Levantaremos novos monumentos
paredes novas
que dirão aos nossos filhos
o que nós juntos
vamos edificando.
Juntos serão lembrados
os nossos nomes
como juntos nos temos oferecido
em holocaustos à vida
E os filhos de nossos filhos
de mãos dadas
orgulhar-se-ão de nós.
AGOSTINHO NETO

ADEUS À HORA DA LARGADA
Minha mãe
(todas as mãe negras
cujos filhos partiram)
tu me ensinaste a esperar
como esperaste nas horas difíceis
Mas a vida
matou em mim essa mística esperança
Eu já não espero
sou aquele por quem se espera
Sou eu minha Mãe
a esperança somos nós
os teus filhos
partidos para uma fé que alimenta a vida
Hoje
somos as crianças nuas das sanzalas do mato
os garotos sem escola a jogar a bola de trapos
nos areias ao meio-dia
somos nós mesmos
os contratados a queimar vidas nos cafezais
os homens negros ignorantes
que devem respeitar o homem branco
e temer o rico
somos os teus filhos
dos bairros de pretos
além aonde não chega a luz eléctrica
os homens bêbedos a cair
abandonados ao ritmo dum batuque de morte
teus filhos
com fome
com sede
com vergonha de te chamarmos Mãe
com medo de atravessar as ruas
com medo dos homens
nós mesmos
Amanha
entoaremos hinos à liberdade
quando comemorarmos
a data da abolição desta escravatura
Nós vamos em busca de luz
os teus filhos Mãe
(todas as mães negras
cujos filhos partiram)
vão em busca de vida.
Este poema é do patrono.
Agostinho Neto

GUERRA
Postagem oficial dia 03/02/2017.

Patrono: António A. Neto
Acadêmico: D.Wassandjuca
Cadeira: 18
Postagem oficial/03/02/2017
Paredes velhas
Os velhos monumentos
erguidos para serem por mim venerados
hei de derrubá-los
Essas paredes velhas
construidas por egoístas
e que nos não lembram de mim
hei-de destruí-las
Levantaremos novos monumentos
paredes novas
que dirão aos nossos filhos
o que nós juntos
vamos edificando.
Juntos serão lembrados
os nossos nomes
como juntos nos temos oferecido
em holocaustos à vida
E os filhos de nossos filhos
de mãos dadas
orgulhar-se-ão de nós.
AGOSTINHO NETO


Amanhecer
Há um sussuro morno
sobre a terra;
degladiam-se
luz e trevas
pela posse do Universo;
sente-se a existência
a penetrar-nos nas veias
vinda lá de fora
através da janela;
cresce a alegria na alma
a Vida murmura-nos doces fantasias.
Tangem sinos na madrugada
vai nascer o sol.
.
Poeta Agostinho Neto