Cadeira 43 - Vicente de Carvalho // Elísio Mattos



Nome completo Vicente Augusto de Carvalho

Filho do major Higino José Botelho de Carvalho e de Augusta Carolina Bueno, descendente de Amador Bueno, o Aclamado.

Formou-se em 8 de novembro de 1886, com 20 anos de idade, da Faculdade de Direito de São Paulo, no curso de Ciências Jurídicas e Sociais (sendo que para matricular-se teve de obter licença especial da Assembleia Geral do Império, por não ter a idade mínima para cursar a cátedra de direito).[1]

Quando deputado, foi membro da comissão de redação da Constituição do Estado de São Paulo e secretário de Interior, tendo abandonado a política logo após.

Foi fazendeiro em Franca, entre 1896 e 1901, quando retornou a Santos e lá se estabeleceu como advogado.

Transferiu-se em 1907 para São Paulo, tendo sido nomeado juiz de direito no ano seguinte e, a partir de 1914, ministro do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Como jornalista, colaborou em vários jornais, como O Estado de S. Paulo e A Tribuna. Em 1889, fundou o Diário da Manhã, em Santos e, em 1905, O Jornal.

Serviu como redator das revistas Ideia e República. Tendo publicado verso, estreou na prosa numa polêmica com o poeta Dias da Rocha.[2]

Em 1885 publicou seu primeiro livro Ardentias. Três anos depois veio Relicário (1888). Quando voltou a Santos, fervia o movimento abolicionista. Em 1902 publicou o Rosa, rosa de amor.

A obra que marcou sua carreira poética, Poemas e Canções, foi primeiro publicada em 1908 com prefácio de seu amigo Euclides da Cunha. Teve dezessete edições.

Também se encontra colaboração da sua autoria na revista Branco e Negro[3] (1896-1898).

Casou-se em 1888 com Ermelinda Ferreira de Mesquita (Biloca), em Santos, com quem teve quinze filhos. Entre eles, Vicentina de Carvalho, poetisa, e Arnaldo Vicente de Carvalho, jornalista.

• Os jardins da orla de Santos se devem em parte a Vicente de Carvalho. Em 1921 escreveu, junto a Américo Martins dos Santos e Benedito Montenegro, uma Carta Aberta ao Presidente da República contra apropriações ilegais das áreas em frente à praia.

• A poetisa santista Maria José Aranha de Rezende (Santos, 2 de outubro de 1911 - Santos, 17 de junho de 1999) foi sua sobrinha-neta e pertenceu à Academia Santista de Letras. É também sua sobrinha-bisneta a escritora Maria Valéria Rezende, Santos 08/12 1942), radicada na Paraíba desde 1976, que, entre outros prêmios, venceu o Prêmio Jabuti nas categorias Romance e Livro (de ficção) do Ano, e, 2015, por seu romance "Quarenta dias".

• Foi sua nora a escritora Cacy Cordovil, casada com Benedito Arnaldo Vicente de Carvalho. Cacy foi contista e autora de Raça (1931) e Ronda de Fogo (1941 e relançada em 1998, pela Editora Musa). A autora recebeu críticas favoráveis de Monteiro Lobato à época da publicação de Ronda de Fogo, bem como de Álvaro Lins e Sergio Milliet. Seus contos foram incluídos em antologias organizadas por Graciliano Ramos e Raimundo Magalhães Jr.

• Além de uma rua na cidade de Ribeirão Preto, um distrito do município do Guarujá, um bairro e uma estação do metrô na cidade do Rio de Janeiro, ruas em Santos, em São Bernardo do Campo, em Santo André, em Porto Alegre, em Praia Grande e em Curitiba possuem seu nome.

• Muitos de seus poemas foram traduzidos para o italiano por Giusepina Stefani

• Teve 15 filhos, criaram-se 13.