Cadeira 47 - Francisco Martins Silva


Francisco Martins Silva, nasceu na cidade de São Félix de Balsas - Maranhão. Reside em Uruçuí - Piauí. Professor, escritor e poeta. Licenciado em Geografia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI e pós-graduado em Pedagogia Escolar pela Faculdade de Teologia Hokemãn. Obra publicada: Um tributo à natureza pela editora Câmara Brasileira de Jovens Escritores - RJ. Recebeu a medalha de mérito literário da Litteraria Academiae Lima Barreto. Rio de Janeiro. Recebeu a Láurea troféu Maestro Wilson Dias da Fonseca pela Academia de Ciências, Letras e Artes - ALUBRA - Araraquara - SP. Tem participação em antologias por várias editoras e publicações em revistas literárias.


Abelhas, fadas da natureza

Vejam que beleza,
Que abelhas agitadas,
Suas asas a baterem com destreza
Tão singelas e encantadas,
E ainda pousam nas flores,
Pois são presenças nos jardins,
E são de várias espécies e cores.
Elas voam pelo espaço embelezando a natureza,
São por todos admiradas, expõem-se com grandeza.
Vivem nas colmeias, fabricam o doce mel,
Oh, abelhas, seres ilustres, fadas da natureza
Que trabalham com empenho e fervor,
E ao produzirem o mel
Nos promovem um alimento de delicioso sabor.


Nossos índios

Nativos de nossas terras,
Ordeiros e amigos,
Lutadores e fiéis à cultura e tradições,
Exemplo de laços familiares,
De cumplicidade com a natureza,
Ambientalistas de vocação.
Heróis de sua pátria,
Mas, submetidos a atroz humilhação
De escravos fugitivos a guerrilheiros
Pela tão sonhada libertação.
São tantas as etnias: guarani, ticuna, macuxi,
terena, guajajara, xavante, ianomâmi, pataxó e outras mais.
Povos que, mesmo reprimidos pela história
Sobrevivem com o sonho da digna paz.
Grandes cultivadores de plantas e ervas nativas
O milho, a batata-doce, a pimenta, o caju.
No entretenimento a prática da peteca,
No repouso a rede de dormir
E no alimento da mandioca ao beiju.
São filhos da terra,
Irmãos da natureza
Protetores de sua nação
Ah! Se todos nós brasileiros amarmos esse povo,
o Brasil inteiro se dará as mãos.


Lembranças cálidas

Lembranças dos meus sonhos loucos e tensos;

Dos amores passados que vivi;

Sementes que plantei no quintal de minha história, saudosa, às vezes perene e com aroma de jasmim.

Lembranças que se espalharam nas florestas do espírito,

Se naufragaram nas veias da emoção

Infincaram-se nas rochas de uma alma resistente que a cada primavera

floresce me marcando cada vez mais fundo loucamente numa aura embriagada de carmim.

Parti por um infinito caminho onde os horizontes são múltiplos e serenos;

Mergulhei no mar sem fim;

Afoguei as más lembranças;

Cultivei aquelas saudaveis;

Construí o meu castelo de morada com o espírito seguro

de tanto amor para eternamente viver assim.


Um poeta a morrer de amor

Uma taça de vinho se quebrou,
Aquela flor no jarro de prata murchou,
Um grande sonho se foi,
A alegria da alma se acabou,
Um vivente ao lamento se expôs.
Foram as lágrimas que inundaram a alma daquele poeta
Que por uma paixão se condenou.
Além da inquietação e da loucura, o delírio que do espírito dele se apoderou,
Foi pelo seu grande amor que na vida lhe deixou
E depois das lágrimas e da saudade, a poesia em seu peito transbordou.


A floresta dos lírios - Conto

Numa região localizada bem nas encostas de uma rocha e por onde correm as águas doces de um córrego, há diversas plantações de lírios onde existem flores de diversas espécies e cores, e de aromas diversos a se espalharem pela região, encantam a todos que por ali passam e buscam conhecê-los, é a tão procurada e admirada floresta dos lírios. Nela suas plantações são regadas pelas águas das chuvas que em horas já certas e bem determinadas pela natureza caem especialmente para regá-las e deixá-las floridas e perfumadas, sendo que cada planta recebe a luz solar numa sintonia perfeita para o desenvolvimento de sua composição, além da fertilidade do solo que as sustentam. Dizem que todos os jovens enamorados que por ali passam nunca mais a abandonam e seus amores perpetuam por toda a vida. Foi por esse motivo que Juan e Esmeralda, um jovem casal que estando noivos, antes de se casarem procuraram conhecer a floresta dos Lírios. Lá conheceram todas as flores, suas cores e fragrâncias, tomaram banho no córrego e também naquela chuva que nas horas certas e abençoadas vem para regar a floresta e ainda aproveitando a terra fértil plantaram várias mudas de lírios para embelezarem ainda mais a floresta, colheram flores dos lírios para ornamentarem o buquê do tão esperado casamento e colheram várias flores para aproveitarem de suas fragrâncias e se perfumarem, e depois partiram com a certeza de que seus amores nunca terão fim.


A ciranda do deserto

Deserto de terras áridas
A se perder no espaço imenso,
O sol a te queimar por inteiro
E o vento, as tuas areias levantar
Num festival de poeira intenso.

Deserto de terras quentes
De clima árido, de ar envolvente,
Fazes com teu escasso recurso tua ciranda
Danças e embelezas este chão
Nesta tua ciranda formada por terra, sol e vento.


Saudades de um amor

Um sentir, um lembrar, um recordar,
Que vem do fundo, de dentro da alma,
E o coração a se espedaçar.
Envolve-me de sentimentos profundos
E do passado a me abater,
Uma fusão de lembranças de um amor,
De uma fábula, de um conto que passou
E agora desperta no meu viver
E no presente a só me inquietar.
É a saudade que no peito vive, bate e insiste
E assim me instiga com esperança
A um amor do passado a reencontrar.


Ciranda dos Anjos

Flautas e harpas a tocarem,

Um coro de vozes a entoarem

E para o Altíssimo a se manifestarem,

Em ciranda, juntos a dançarem

Num festival sublime e encantador!

Uma dança comovente!

Uma ciranda sem igual

São anjos, doces anjos, ilustres do bem

Exalando amor e harmonia na ciranda

Movida por um belo ritual.

Nela, os perdões são aceitos;

Os amores, fortalecidos;

As esperanças, reanimadas;

As graças, alcançadas...

Dos filhos da terra, a alegria, o olhar altivo

Por contemplarem aqueles anjos num baile magistral.

Oh anjos, verdadeiros guardiões, seres queridos,

Fazei que entremos nessa ciranda por um mundo mais de paz.

Francisco Martins Silva

Nosso quilombo, nosso lar

Longe, bem longe
Por estradas e caminhos a passar
Andando de pés descalços pelas areias, matas, rochas
E por montanas até encontrar.
Oh! quilombo, nosso refúgio, nosso acalanto, nosso lar.
Negros, de crianças a idosos, homens e mulheres buscando encontrar
Aquele paraíso de refúgio pra se morar.
Oh esperança, sonho vindouro!
Liberdade almejada,
Casa do negro tão desejada,
Nosso quilombo, nosso lar.


O anoitecer

O sol já se põe
A noite a entrar em cena
O barulho do dia já não se ouve
Agora é a noite que silenciosa e escura
Vem a pairar no tempo
E manifestar sua beleza e calmaria serena.
E assim na madrugada
Acolher os amores,
Fortalecer os sonhos,
Trazer repouso aos espíritos
E garantir a paz e harmonia das almas plenas.


Ciranda da Terra

Ela é esférica a circular no universo imenso,
O Sol é o seu foco para um giro permanente,
Em seu eixo a rotação a realizar-se plenamente.
Em meio a outros astros ela faz a translação num espaço extenso.
É a Terra, nosso lar, nossa casa, nosso chão num balé magistral a dançar intensamente.
Ela recebe a luz do sol,
Recebe também o brilho das estrelas,
O azul dos mares e o verde das matas realçam sua beleza que é comovente,
E, assim, a Terra a fazer sua ciranda eternamente.


Ciranda das poesias

Elas são artes divinas,
Expressas nos escritos dos poetas inspirados.
Escritos movidos de sentimentos e ideais,
De amores e sonhos compartilhados.
Se manifestam de várias formas a nos encantar:
No soneto, no rondel, no indriso, no pantun, na tanka, na trova e no cordel.
Em versos com rimas, no poema livre e diversas outras formas,
E vem fazendo ciranda embaladas por versos e estrofes escritos no papel.
E assim realizam sua ciranda cheia de belezas a nos encantar,
Oh ciranda das poesias, de todas tu és a mais bela,
Quero em ti cirandar,
És toda rimada e poética, digna de se admirar!




Um poema do meu livro Um tributo à natureza

O AR QUE SUSTENTA A VIDA

O ar é presente, companheiro e envolvente;
Faça sol ou chuva,
Faça calor ou frio
Ele é presença no espaço e no tempo
E ainda nos faz feliz,
Pois, para todo o ser o ar é o mais presente,
É o que mais exige estar com a gente
E nos deixa sem fôlego quando está ausente.
O ar está no vento, no dia, no tempo,
Na respiração de cada um,
No pulmão de todo vivente
Sem ele não dá pra viver em harmonia
Nesta natureza permanente.


Manifesto de Paz

Ideais, sonhos e planos,
Orações, preces e planos,
É o amor a manifestar-se com todas as forças em prol da Paz.

Todos de mãos dadas,
Unidos em comunhão na ciranda da Paz.
Todos os recursos plausíveis utilizados
Com insistência para que haja Paz.
A fé no Deus da Vida, a quem temos enorme gratidão.
A fé na força e nos talentos de cada um unidos em mutirão.
A esperança, sempre e sempre cultivada.
O amor, o maior ingrediente nesta jornada salutar
Nos leva à união.

O respeito e acolhida às culturas, belo processo de inclusão.
Todos atentos aos mais frágeis e necessitados,
A solidariedade sempre bem lembrada e cultivada.
Abraços nos encontros e reencontros, sempre terão.
Perdões, milhões de perdões aceitos.
Apertos de mãos a cada momento preciso.
A verdade e a justiça resistem e resistirão
Até não sobrar nem um pouco de motivo para a guerra,
E o ódio, este ficará no esquecimento.

Ideais, sonhos e planos,
Orações, preces e cantos,
É o amor a manifestar-se com todas as forças em prol da Paz.

Francisco Martins Silva