Cadeira 54 - Wagner Marim


Natural de São Paulo-Capital - Brasil Consideram-me poeta e escritor na medida em que meus trabalhos são apreciados pelos leitores. Por outro lado, considero-me um amante das letras e de poemas, poesias. Tenho participação em muitas antologias publicadas pela CBJE e outras editoras. Publicações em vários sites de poesias. Julgo-me um aprendiz e acredito que somos todos aprendizes neste mundo. Acadêmico na AMCL - ACADEMIA Mundial de Cultura e Literatura, titular da Cadeira 54 que tem como Patrono Manuel Bandeira.



Sigo ainda

Ainda sigo
Porque a noite me empurra
E o dia me desafia.

Depois de vomitar as estrelas
Engolir os raios melódicos do sol
Cá dentro, minha alma ilumina-se


Ondas da Praia

Cada dia de nosso viver
É como cada onda que quebra na praia
Nunca são iguais, nunca fazem o mesmo barulho
E nunca quebram na mesma altura.
Quando elas vêm, às vezes, trazem lembranças!
Quando elas vão, às vezes, levam saudades.
E, tanto os sonhos quanto ao passado e o futuro
Deslizam até que por alguns instantes
Nas cristas dessas ondas da praia.

Wagner Marim


IDADE

Mesmo tendo mudado sou o mesmo.
Hoje, grisalhos são meus cabelos,
Grave e miúda minha voz.
Meu olhar não é triste nem alegre, é vivido.
Curtos são meus passos e lentos os reflexos.
Meu corpo já se enverga pela ação do tempo,
E minha pele começa a dobrar-se tecendo vincos.
O tempo encarregou-se de moldar
Meu físico e minha mente, à sua passagem.
Se de um lado engendrou-me a sabedoria da idade,
Por outro me deixou o mesmo tendo mudado.

Wagner Marim


HAICAI I
Vento de outono
Carrega das secas folhas
O tempo passado. 


Lágrimas de sangue

Levanto-me cedo.
Saio à rua em minha andança.
Deparo-me com um lindo dia-criança.
Vidas passeando sorridentes, tristes ou apáticas.
Vento remexendo nas folhagens das lembranças.
Manhã tecendo novidades, sortes e desgraças.
Indago-me mais tarde.
Qual dor é a mais pungente, dorida e covarde.
Que agride nosso sentimentalismo humano,
Que só pode derramar lágrimas de sangue.
Que é interna e vem de dentro do coração,
Aquela cujos pais perdem precocemente do amor
O sangue de seus sangues.
Não sei de dor maior.


A LÁ PESSOA

NEM SEMPRE vejo as sombras
de meus pés quando ando.
Às vezes não percebo que tenho os pés
é como se não os tivesse.
O pensar é um vazio cheio de dor
e dói-me quando o calçado é menor
que meus pés.
Aperta como se fosse o último gole
Sacia como se pressentisse a última gota.

Ás vezes sinto as sombras
de meu terno a me perseguir.
Luto e livro-me da perplexa sombra
que não respeita ao menos meu medo.
Como meu medo fosse eterno
embora seja ele uno e consciente.
Não serei o que brada nos campos
ainda impuros, nem o que grita
esperando o eco das cavernas.
Serei apenas a caverna.
Serei apenas a sombra.

Estou em repouso
como o cinzeiro a minha frente.
O retrato que guardo de mim
está do avesso. Estou do avesso
como a camisa que cobre meu dorso
e ela não é maior que o mundo
pois nela cabe meus braços esguios
e naquele não cabe minha dor.

Estou em repouso.
Apenas uma mosca vadia
rebimba suas asas em meus ouvidos.

Wagner Marim