Cadeira 55 - José Hilton Rosa


José Hilton Rosa, Brasileiro, Escritor e poeta. Fez diversos cursos técnicos, gestão de pessoas, psicologia do trabalho. Autor de 6 livros de poesias: "Laços de sangue"; / "Choro de sangue"; / Versos em alças de fogo; Sorriso e Lágrimas; / "Inversos" / "Alma Exposta. Participou de diversas antologias, entre elas: "Um canto de Amor"-Mil poemas a Pablo Neruda, organizado pelo poeta chileno Alfred Asis; / "Antologia poética -Chile - Tomo I", organizado pelo Poeta e fundador do Movimiento Poetas del mundo, Luis Arias Manzo / "Antologia Por La paz Del mundo, organizado pela poeta Lucina Medina de Barry Acadêmico correspondente ALPAS 21 cadeira nº 10 https://www.josehiltonrosa.recantodasletras.com.br/



Sorriso triste

O velho Moribundo
O ouro no dente
Sorriso triste
Bate o pé no chão
Olha para o céu
Sabe quando a chuva cai

O medo da cruz
O orvalho na planta
A pegada do bicho
A mordida sem dentes
Sangue velho na pele
O negro sem luz


à flor da pele

só resta chorar
chorar de alegria
chorar por não tê-la
ver o que sinto agora
agora vou chorar
me dê licença
vou chorar
chorar só pra mim
quero voar
voar para te ver
entre as flores
voar para lugares esquecidos
lugares escondidos dos olhos alheios
quero voar para dentro de mim
voar sozinho até o céu em prazer
chegar e tocar na sua pele
sentir e dividir prazer
à flor da pele


Jeito de amar
(José Hilton Rosa)

Quisera subir o morro
Falar com o tempo
Dizer a verdade
Sonhar com o futuro

Quisera ouvir os pássaros
Passear nos pântanos
Curtir a visão
Beijar o chão

Quisera ser feliz
Sorrir para as pessoas
Dar as mãos
Sentir a bondade de cada um


Sonhos

São tantos sonhos sem fim
Na sombra do anoitecer
São claros, lindos eternos
Na luz do amanhecer

José Hilton Rosa


O dia do julgamento

O som dessa viagem me faz feliz
Em barreiras de pensamento
Lágrimas me fez romântico
Relembrando os tropeços
Por estar olhando para trás
O levante popular me arrepia
Me fez cidadão
Me leva para o subúrbio da submissão
Em dúvida qual nossa missão
A dúvida me fez chorar
O encanto superou todo esquecimento
Relembrando a dor
Ainda há espaço para um sorriso
Triste é a ironia de um ditador
Fazendo sofrer todo sonhador
É triste! mas a esperança sempre vencerá

José Hilton Rosa

Ainda Brasil


a vida caminha

pelos caminhos da vida, os dias passam
pelos caminhos escuros, aprendemos vencer
pelos caminhos invertidos, renegamos todo o saber
pela vida caminhemos como mais um caminhante
dividindo o sol, a chuva, as matas, os rios e os risos


Morte na catedral

É cedo! Chega para rezar
Orando aos surdos
Sempre querendo pecar
Um corpo caído sem dó

De mãos juntas
Olhos fechados para o chão
Joelhos na penitencia
Pedindo o perdão

Sem entender os deuses
Sem ninguém para falar
Com medo do silencio
De novo volta a pecar

O santo na parede
O corpo no chão
Com o sangue ainda vivo
Sem nada na mão

Onde anda o padre?
Rezando um terço?
Ninguém para contar a história
Pensando no abraço e no beijo na mão

A imagem que viu
Depois de recordar
Foi o corpo
Que ajudara enterrar

Depois descobrira
Que aquele corpo
Estava ali
Para se canonizar

Séculos passaram
O espírito voltou
Pediu para junto dele ficar
Agora para ele rezar

Autoria: José Hilton Rosa


Sem-mentes

Bocas que abrem e fecham como flâmulas ao vento
pecam na crença da verdade
falam de tudo e de todos
falam do que veem e também daquilo que não veem
nossos ouvidos funcionam como filtros
sem razão e sem lógica
sem-mentes falam sem parar

J.Hilton


Desejo obsceno
(José Hilton Rosa)

Abraçado ao tronco de poeira
Com os olhos perdidos no tempo
Sem voz para gritar
Passeando por uma praça de guerra

Morto como morto
Caminhar para caminhar
Procurando para encontrar
Um lugar para morrer

De joelhos, não para rezar
Com os olhos trêmulos
Louca para cair
Sobre a poeira do tempo

Rocha pesada nos ombros
Faminta por um descanso
Observando o mundo apático
Deitada desejando a morte

Filha de um cego andante
Querendo prova de amor
Procurando um beijo na terra
Pedindo perdão de um pecado ao santo

Olhos úmidos de sangue
Faminta por água na boca
Desejo obsceno
Deitada ao sol para pagar os pecados

Fantasia obscena de um padre
Que reza a missa aos domingos
Pedindo perdão para os pecadores
Dormindo, chora pelo desejo pecador

Celebrando a união de dois corpos
Autorizando o beijo à frente dos convidados
Abençoando as alianças de ouro
Na certeza de um adultério futuro

Sagrada hóstia para os comungandos
Trilha escura para chegar
Um beijo aos pés, deixa-os comovidos
Bons, são os de boa fé

Feliz ao aconchego familiar
Bebendo a água sagrada pela sede
Um sono na tarde quente
Livre de sonhos obscenos

Convite louco te leva ao delírio
De joelhos reza ao oratório de uma santa
Sente como uma criança
Livre dos pecados

O sono feliz não acorda com os gritos do sofrimento
Beijo no rosto postado na cama
Pede benção para o novo amanhecer
Abraça o corpo do santo

Pede perdão pelo desejo obsceno
Chora sozinha sua culpa
Abraça os fiéis
Como uma donzela, reza o terço na noite


FOGO NAS PATAS DO INIMIGO

Caminhando como cobra
Procurando alimento
Na escuridão do pensamento
Enxergando como dragão
O cheiro ríspido vindo com o vento
A cor da alma lhe convalesce
Reino animal
Fonte de todos os servos
O silêncio lhe faz presa
Falso grito de ódio
Fechando os olhos para atacar
Planta que não dá semente
Fino tato nas presas
Ataca como fogo em mato seco
Fenda inútil do saber
É o inimigo da vida


Em homenagem ao poeta, dia 20/10 foi o seu dia. Aproveitando a data deixo apenas uma frase de minha autoria:

O poeta é um eterno visionário, enxerga no escuro e fala no silencio da solidão.


Musa de Drummond

Gêmea na arte das palavras
versátil ao transcrevê-las
deu as costas para a discriminação
recebeu prêmios
escreveu em versos que poesia não tem sexo


Dor de candura.

A água vai banhar minha imaginação.
No cimo dos montes
Dentro do coração.
Visível ao olhar.
Corre pelas veredas.
Faz inveja aos mortais.
O fruto da natureza.

José Hilton Rosa


o caminho entre dois hemisférios

o amor não espera
fala no escuro
conduz
faz a luz
apaixona com os olhos
dá o perdão
deixa paixão
fortalece nosso coração
pensamento esquecido
sem um ombro
andando sem pressa
sem destino
apenas a força da mente
com os calos da caminhada
vida cansada
prazer esquecido
pão adormecido sem sabor
apenas o suor
sem água
o sal na pele
o cheiro do tempo no corpo
o desejo de levantar
olhar
enxergar
o vento parceiro
a chuva faz o banho
tempo vivido
tempo para viver
tempo esquecido
teor da consciência
peso das pernas
um troco jogado
um alimento deixado
o feitiço de mãe
o calor da dor
andarilho para o altar
altar que não chega
uma oração relembrada
o desejo do céu
uma poesia
um caminho
dois hemisférios
um só povo
irmãos com culturas distintas
o abraço de respeito
respeito à vida

José Hilton Rosa


Olhando Arte

Olhando os vitrais da vida
Enxergando flores
Falando com as cores
Ajoelhando na fé

Pensamentos prensados
Prosa falada
Partes divididas
Patrulhando a morte

Partida de futebol
Pandeiro tocado
Palavra falada
Patrulhando suspiros

Partindo corações
Pedindo ilusões
Pedreira de fé
Peleja sofrida


Novos Tempos

Aproximando em pranto
Mãos frias pelo tempo
Velha lembrança ainda tenha
Novos tempos são esses vividos
Nunca por nós esquecidos

Jeito singular de ser
Perto do caminho final
Sombras deixadas nos aposentos
Deixando como detento nosso sonho
Quero flores para sua felicidade

Levando a dor como companheira
Faceira buscando um sorriso
Tempos de outrora, perdidos
Ditos e esquecidos nossos planos
Alimentos aos poucos oferecidos

Saudade deixada em lágrimas puras
Partindo corações em remorso
Suor que salga nosso rosto
Esperando sempre o outro dia chegar
Ansioso no mesmo lugar, a paz vou buscar

Sangue vivo correndo em minhas veias
Feito louco grita enganando o sofrer
Feito luz que acende longe e aparece ser querer
Na escuridão da mente sempre quer saber
Novos tempos chegarão antes do envelhecer

Autor: José Hilton Rosa