Cadeira 59 - Elzana Mattos


Elzana Kátia Lima Mattos Ferreira - Elzana Mattos - Brasileira, Professora universitária, Poetisa e escritora. Mestre em Teoria Literária e Línguas Modernas e Doutoranda pela universidade de Extremadura - Espanha. Livro/Romance publicado em 2014, pela Editora Chiado - Sinais De Mim. Acadêmica da AMCL - Academia Mundial de Cultura e Literatura, titular da Cadeira 59, tendo como Patrono Jorge Amado. Diversos trabalhos publicados e premiados em blogs, sites e Antologias. Membro da Casa dos Poetas e da Poesia; e Recanto das Letras; página no Facebook; site: www.zanferprosaeverso.net.



HORAS MORTAS!

*

Oh Meu Deus! Perdi a noção das horas

Horas mortas, de tantas borrascas

Onde corcoveia 'alma que chora

Nas voltas do tempo sob desforra.

*

Ante o farol ruço da cidade

Ah, quantas ausências dentro e fora

Perdi tudo, até a pulcritude

Neste sorvedouro que estertora.

*

Num viver contumaz subsistia

Tão solitário sem poesia...

E nos bancos das praças, morria.

*

Lá do alto, a lua gris, não dormia...

De tão consternada, assaz subia

Para não ouvir a dor qu'eu sentia!

*




A Palavra...
Beba hoje a palavra
Inteira e excurrente
Que, vem do coração
Transbordante...
De paz...
Feito cacimba
Liquidamente morna
Que, desce a garganta acesa
E, explode constelações
De sentimentos bons!
***
Elzana Mattos 



** Soneto:
Ó Filete de Deus!

**

Águas que jorram gotículas de euforia

Águas que descem em prece todo dia

Banhando lagos, rios, riachos e vales

Anunciando muitas festas nos mares!

***

Ser água, doce ou salgada, em poesia

Molhando a tez do Vate com alegria

Ah, cerzindo montanhas nos teares

Da vida, qu'entrecortam os luares!

***

Água Santa qu'escorre em movimento

Saciando a sede de toda uma gente...

Ah, legando-a sói, a seguir em frente!

***

Nos veios da terra, tu és sustento.

Na voz do poeta, tu és alento...

Ó Filete de Deus, pulcro alimento!

***

Elzana Mattos

***




Neve derretida

O pensamento escreveu
sobre neve derretida
pouco antes do amanhecer
escorreu por fendas e grotas ondeantes
e se lançou ao mar imenso
Então voou, suspirou silábicas palavrinhas eivadas
no coração de um pé de vento.
Rodou, rodou, roda-viva, e subiu
sob nevasca quente,
em larvas secas em movimento.
O pensamento escreveu
em ventos fortes, pouco a pouco,
palavras em branco e preto
no silêncio sussurrante da hora
chuleando memórias e história,
na voz que sustém outras vertentes
nas mãos visionárias das ideias
configuradas-etéreas,
que não sustento


Limites

Há limites em teus olhos
E o coração pulsa forte
Anunciando uma nova emoção
Que insiste
Ocupando espaços inusitados
Do querer sem perceber
Que faço parte de você
Não existe medo nem fronteiras
Quando se tem amor para dar
É só querer
Deixar fluir
E libertar
O sentimento
Em que eu costumo navegar
Nos momentos distraídos
Do teu olhar!

Poema: Elzana Mattos




Voragens d'ouram céus!

Imensas voragens se deitam

na brancura d'ouram céus e vagidos

suspirando intrépidas sem riscos.

Imensas vastidões em açoites,

flutuantes sargaços, vulpinos...


Imensas são as noites roubadas

sequiosas tragam

pegadas rutilantes em vagas

ao despir das areias movediças,

lodosas sensações, rubejantes

que, espraiam violinos plangentes

na toada cigana, que se furte.

Imensas são as tuas carícias...

cascateantes deslizam, tombam

e lambem tudo, vorazes pelos eitos

do meu corpo aberto em chamas!



Ah...Super Lua!

Na tessitura da pele andejei
Sulcando a tez suave desnua
Ah, cingindo imagens que vicejei
Ao tatuar em ti, a super lua...

***
C'os olhos em prece chorei
Diante da flux que flutua
Solitária, no céu que fitei
Ó lua vibrante que estua...

***
Magistral; que vive nos braços teus
Volta sim, oh lua, e vem me aquecer
Fogo em brasas, de paixão vulpino!

***
Nesta super lua audaz sob hino
Harpejante acorde suspenso em céu
Purpúreo; e vem em mim, amanhecer!

***

By Elzana Mattos