Cadeira 63 - Sílvia Mota


Sílvia Maria Leite Mota Pseudônimo: Sílvia Mota, natural de Piquete/ SP Cientista do Direito (UERJ e UGF), humanista, mestre pesquisador, escritor, poeta, artista plástico, musicista e declamador. Graduanda em Curso de Letras e Literatura Portuguesa (UNESA). *Ambassadeur Universel de la Paix par le Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix, Suisse/France. Medalha do Mérito Cultural Fluminense de Belas Artes. Criador do Portal Sociocultural Poetas e Escritores do Amor e da Paz (PEAPAZ), Membro ativo de grupos culturais e intelectos, com ênfase na literatura e nos temas filosófico-jurídicos, entre estes: Sociedade Brasileira de Bioética / Cônsul dos Poetas Del Mundo - de 2009 a 2010 / Membro de Poetas Del Mundo / Secretária Geral da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores (AVSPE) / Escritora da Rede de Escritoras Brasileiras (REBRA) / Membro Efetivo da Academia Virtual Brasileira de Letras (AVBL) - 2009-2010, Membro ativo da Associação Brasil Soka Gakkai Internacional.






Eu, Sagitário!

Kheiron! Centauro virtuoso e amigo do saber,
que alforriaste Prometeu às garras do inferno.
Alçaste aos céus e ali eternizaste sonhos,
por entre estrelas e báratros incontáveis,
na impérvia desnudez da constelação de Sagitário.

Abrolho dessa lírica e sutil nebulosa,
como navegante afoita dos oceanos do céu.
Sibilo a flecha do conhecimento,
nua em pelo e em sons, à poeira divina.

É por essa criatura, meio humana e animal,
que me desfaço em dualidade poética
e reconheço meu ser em desalinho,
no soluço dorido de cavalgada ao léu.

Arrebento em fúria os botões do abismo
e liberto os bicos róseos do meu paraíso
ao sabor da Via Láctea, que louca e lésbia,
suga-me os seios sem pedir licença.

Meu leite jorra esquizofrenicamente e,
nesse fado, fadas e demônios alimenta.
Homens e mulheres sacia, para perder-se
no acaso infecundo da fluidez do pensamento.

Kheiron! Lanço-me ao mistério das conchas estelares,
a permitir estupro em amarras vermelhas.
Arreganho-me ao pisotear das patas mitológicas,
cujas bocas ensandecidas devoram meu corpo.

À iniquidade santa do meu verbo, danças feliz,
enquanto vertes sêmen ao embalo das minhas pernas.
Preciso arfar na imortalidade deusa que perdeste
ao desejo de humanidade frágil e pecadora.

Busco a verdade na força desse arco empeçonhado
e, sou teu manto magnânimo, sem jamais ser tua.
O feitiço das minhas veias é a teia do teu prazer
e, sem piedade, a agrura eterna da tua traição.

Sou mulher e cavalo - sei cavalgar-te, fêmea!
Sou cavalo e mulher - sei atiçar meu homem!
De quatro restarei aos teus desejos loucos,
se endeusares o som da minha boca
na seiva agridoce do teu estro armado!

Sílvia Mota


Soneto Alexandrino:
"Certeza podes ter de que não fujo... pede!"

Aos ventos de um pedido escuto o teu recado
idílico e charmoso. Affaire que não tem preço...
O corpo, audaz vulcão, revolve apaixonado
e loucamente implora o beijo que mereço.

Estreito o quente olhar e ajeito-me ao teclado
em casta excitação. Bem sei que me ofereço...
Então, num frenesi, rabisco tudo errado
e eivada de paixão reviso-te o endereço.

Poeta sedutor... um mal que não se impede...
Murmuro embevecida o verso alexandrino:
"Certeza podes ter de que não fujo... pede!"

A tela é a minha tez... sorri do meu sorriso...
Deleto o vão pedido e aos pés do malandrino
reponho-me a escrever: "És tudo o que preciso!"





Soneto Alexandrino
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Um infinito amor nas nuvens do Infinito

Nas brumas da saudade há beijo apunhalado,
viés de amor perdido em luz-paixão fecunda.
Revivo na lembrança o olhar que afoito inunda
de verve entusiasmante a flor desse pecado.

O céu transborda em cor e abriga o sonho amado,
que em mar interstellar formoso se aprofunda.
No palco sem festim de história moribunda
atesto em pranto d'ouro o fausto do passado.

Dilúvio no jardim - ah! vida mentirosa!
Silêncio faz morada e assume a cor do cisne
que é negro ao cintilar do Sol em verso e prosa.

Entrego-me à tristeza - há dor em tempo inteiro!
O sofrimento aflora e canta em pranto tisne
a busca entre os lençóis do teu robusto cheiro.

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz



Soneto Alexandrino
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Amor da minha vida
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És sempre o grande amor de toda a minha vida,
és luz ao bel fulgor, trinar de canarinho.
Desenhas meu destino em tela destemida,
do meu pistilo és cor - sou flor e sou carinho!

És oração de fé sublime e nessa lida,
amparas meu soluço, adubas nosso ninho.
Enfeito teu desejo e sonho envaidecida,
se ao citadino céu - perfumas meu caminho!

O toque do teu beijo alvitra um alarido
- anúncio de beleza, ardor de sol irado -
por todo o anoitecer, percorre-me atrevido!

Vencida pelo amor atiço sem demora
- em leito de paixão e à dança do pecado -
o gosto do teu falo e um corpo nu que chora!
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