Cadeira 66 - Antonia Nery Vanti (Vyrena)


Antonia Nery dos Santos Vanti (Vyrena), Nascida em 16/2/1948, natural de Santiago, Rio Grande do Sul, Brasil, residindo em Porto Alegre/RS, desde meados de 1981. Bacharel em Letras, Participou de mais de 20 coletâneas. Tem poemas publicados no Jornal Zero Hora, principal jornal do Estado do Rio Grande do Sul , Diário Gaúcho, RS Letras de Santiago Jornal letras Santiaguenses. Possui um livro solo "Respingos de Sonhos" lançado na Feira do Livro de Porto Alegre, em 2011. Pertence aos "Poetas Del Mundo", Posta no Recanto das Letras / Sociedade Parthenon Literário de Porto Alegre / E a diversos grupos poéticos. 



A musa da poesia
A musa da poesia
Vem de dentro do poeta.
Pode ser a brisa que o acaricia,
Ou um amor que o afeta
Não precisa ser chamada
Surge assim... De repente.
Se for a pessoa amada
É muito mais comovente.
Ela vive na alma do poeta.
É daí que surge a inspiração,
Que em versos se manifesta,
Formando poesia ou canção.
Quando inspirada,
Acelera o ritmo do coração
E a poesia brota inesperada,
Como uma suave brisa de verão. 


Vai, minh'alma...

Como aprisionar
Minh'alma,
Se de enormes asas
Ela é dotada,
Para voar até o infinito
Em busca da felicidade?
Corre, alma minha, corre,
Vai em busca de teu espaço!
Voa, esperança voa,
Acompanha,
De minh'alma,os passos.
Vai, minh'alma vai,
Não permite
Que te impeçam
De buscar esse tesouro
Que se chama felicidade!
Quando o encontrar,
Conserva-o bem guardado
Em um cofre blindado,
Para não sofrer os estragos
Do tempo
Que corre desenfreado,
Levando, em sua passagem,
Muito dos bons momentos
pouco a pouco conquistados!


Incógnita

Às vezes sinto
Que meu tempo é curto
Estou quase na linha de chagada
Ou será de partida?
Não sinto medo,
Mas me atormento
Com a ansiedade
E uma grande curiosidade
Pelo desconhecido.
O que estará me aguardando
No outro lado dessa linha?
Será que lembrarei
O que deixei para trás?
Sentirei ou não saudades
Do que vi e senti,
Durante o tempo de minha viagem
Por aqui?
A vida e a morte se enfrentam
E eu ali, entre elas,
À espera da decisão final.
A vida já sei de cor.
A morte é a incógnita
Que me atormenta.

Antonia Nery Vanti (Vyrena)
Direitos autorais reservados®


Sou

Rabiscando sentimentos
Ao deslizar pela vida,
Sou lágrima sentida
No desabafar de tormentos.

Sigo os passos da tristeza.
No tempo perdi a alegria.
Navego em marés de incerteza,
Entre o real e a fantasia.

Sou um sonho desfeito,
Em labirintos, perdido!
Sou um ser com defeitos

Em busca da perfeição
Nesse mundo descolorido
Em que só vejo escuridão!

Antonia Nery Vanti (Vyrena)
Direitos autorais reservados®


Envelhecer

Envelhecer é, vitorioso,
Chegar ao outono da vida.
Não significa deixar de viver,
Ou de amar.
Não quer dizer desistência,
É um viver
Mais intenso,
Repleto de experiências.

Envelhecer
É crescer em conhecimento,
Em perdão e entendimento.
É valorizar as conquistas
É esquecer as derrotas
E os fracassos
Perdidos no tempo.

Envelhecer
É esquecer as mágoas sofridas,
É perdoar as ofensas.
É valorizar mais a vida.

Envelhecer
Não é estagnar-se.
É preciso seguir andando,
Não ancorar na saudade
Do que para trás se deixou.

Envelhecer
É satisfazer a vontade,
Realizar sonhos atrasados.
É fazer valer os direitos,
É andar a passos mais lentos
Na busca da felicidade!

Antonia Nery Vanti (Vyrena)
Direitos autorais reservados®


A flor

Quando chegava ao fim a primavera
Uma tristeza imensa me abatia
A flor colorida não mais era
Com o calor do verão ela perecia.

Com a primavera partindo
Floresceu, ainda uma última flor.
Como é bela! Pensei sorrindo.
Mas vai murchar ao sentir o calor!

Maravilha, nas cores roxa e amarela,
Dentre verdes folhas sobressaindo.
Nunca houve flor mais linda que ela
Ah... mas logo estaria partindo.

Caminhando desolada pelo jardim
Olhei mais uma vez a bela flor
Que pena, está chegando seu fim!
E seu nome, tão perfeito, era Amor!


A vida

A vida é uma estrada
com tantos tropeços
que, muitas vezes,
é preciso
que nos seguremos
aos galhos
de nossos sonhos,
para não cairmos
nas poças da depressão.


Os espinhos,
como serpentes, alastram-se
à beira do caminho
tentando nos picar
de todas as maneiras.


Com cuidado,
deles temos que nos desviar
para que não nos firam
os sentimentos.


Além dos sonhos,
temos necessidade
de aos ramos da fé,
nos agarrarmos,
aspirarmos o perfume
das flores da esperança
e mergulharmos
nas águas da perseverança,
para chegarmos,
com a alma intacta,
à linha de chegada
ou seja, o final
dessa rodovia repleta
de perigosas curvas
que nos é apresentada
pelo destino.


Sabiazinho

No gramado de meu jardim
O saltitante sabiazinho
Cata com cuidado
As sementinhas perdidas por ali.

Feliz, ele parece,
Apesar de ter caído do ninho,
Ficando órfão, sem ter dos pais,
O carinho merecido.

Suas asinhas, para alçarem voo,
Não possuem, ainda, a necessária força.

Sempre atento
A estranhos ruídos e movimentos,
Saltita, saltita, contente,
Ocultando-se entre pequenos arbustos,
Levando, assim, sua vida
De solitário passarinho.

Dentro de pouco tempo,
Ele alçará seu primeiro voo
E não mais o verei,
Entre as plantas do jardim.

Sentirei sua falta,
Mas sei que feliz ele estará,
Planando pelo espaço,
Enquanto entoa seu mavioso canto,
Cumprindo, assim,
O destino que Deus lhe concedeu.

Antonia Nery Vanti (Vyrena)
Direitos autorais reservados®


Sina de poeta

Poeta
Vive de sonhos,
Quimeras
E fantasias.
Vive paixões
Imaginárias,
Sofrendo por amores
Ardentes,
Fictícios, inexistentes.
Poeta é assim:
Sofre e inventa
Dores
Que só ele
Mesmo sente.
Inventa amores
Que só se
Concretizam
Em sua mente.
Poeta
Tem coração diferente
Vive triste e,
Ao mesmo tempo,
Contente,
Por imaginar
Que seus amores
Durarão
Eternamente.
Essa é a sina
Do poeta:
Sonhar, sonhar,
Ser infeliz
E ao mesmo tempo
Viver
Alegremente.

Antonia Nery Vanti (Vyrena)
Direitos autorais reservados®