Cadeira 71 - Maria Aparecida Camargos de Freitas


Maria Aparecida Camargos de Freitas - Cida Carmagos, Pedagoga, Escritora e Poetisa Desde 2007, ocupa a cadeira de nº 35 na ADL, cuja patrona é Cora Coralina. Pertence à Confraria Cultural Brasil - Portugal. Publicou os livros: "Andarilho do tempo" (2007) , "Pescador de Estrelas" (2008), "Sinfonias dos Ventos"( 2012), Poesias que retratam suas memórias de infância, a religiosidade e os sentimentos humanos.



Mar
.
Vi o mar!
A imensidão das águas
Invadindo o horizonte,
misturadas ao céu,
formando ondas,
espumas flutuantes.
.
Senti-me grão de areia
no Universo.
O Sol lançando raios chamejantes,
abraçando a imensidão do oceano,
com carinho de amante,
gestava estrelas.
.
No tapete cintilante, qual néon,
mágico, como nos contos do Oriente,
flutuavam, ao som do marulhar das
ondas, os sonhos meus.
.


Felicidade

Quisera eu que a inspiração
me viesse aos borbotões;
que eu pudesse invadir, com
meus versos, o âmago do seu ser.
Quisera levá-lo ao êxtase;
quisera um momento tão perfeito,
que não se poderia dizer
que não há felicidade.


Lembrança

O vento tange, suavemente,
as folhas do salgueiro.
Que, qual cortina de leve textura,
guarda o interior da casa envelhecida.

Na música do vento
ouve-se o velho piano
tocado pelas mãos
do fantasma do tempo.

Oh! Doce enlevo!
O som desperta na alma
a saudade da infância
e da família reunida.


Imagem

O homem se vê
através do prisma de sua mente
que, tal qual, o de cristal, se
decompõe à luz de sua história.

História projetada pela imaginação,
com a conotação que o
sentimento lhe quer dar.

Na repetição do gesto
a imagem construída
pela sua inteligência emocional;
de falsa, pela repetição,
torna-se verdadeira,
eterniza-se.


Lápis colorido

Nunca tinha visto
lápis mais bonito!
Era cor-de-rosa...cor-de-rosa!
Menininha do mato!
Embutida no seu mundo!
Vai colorir sua vida...
namorando... o dono do lápis!

In Andarilho do Tempo
Direitos Reservados


Retrato

A máquina assustadora
crescendo a minha frente
eu menininha.
" Olha o passarinho!"
Medo... lágrimas...
um clarão...
o retrato!

Maria Aparecida Camargos Freitas
In Andarilho do tempo - Direitos Reservados


Gozo

No turbilhão da paixão
e do desejo,
o corpo freme.
A mente arde.
O coração acelera.

No mundo do espírito,
ensandecido,
todo o amor que
desencadeou a loucura
faz o gozo real.

Naquele instante,
acordo!

Aparecida Camargos
In Sinfonia dos Ventos
Direitos autorias reservados.


A Festa
.
Ouço rumores de festa:
banda, foguetes.
Imagino barraquinhas
vendendo pipocas e cartuchos.
.
Não tenho sapatos,
os meus estão furados.
No armário da mamãe,
lindos sapatos de salto alto
eu, sete anos e afoita, os calço.
E elegante e bela, vou à festa.
.
Só, no meio da multidão, choro.
Sou apanhada por braços fortes
Era papai.
De quebra, ganho um par de
sapatos novos. 


Ilusão

Vai pensamento, em asas de ouro, montado em um corcel que
galope através do tempo
e siga as nuvens, os trovões e
os relâmpagos, no firmamento.

Veja do universo a imensidão
e busque horizontes onde
o sol não se põe e
beije o vento.

Dê-me a sensação
da imortalidade,
da ausência do medo,
da dor e da saudade.

Faça-me feliz!
Feliz por um momento.
Encha-me o coração
do amor desprendido,
do homem pelo homem, e
em Deus ser redimido.


Perdida

Não sabia o que fazer,
Não sabia o que pensar.

A mente, em vertiginoso turbilhão,
exaurida de desejos e paixões,
buscava a lucidez!

Na agonia da dor e do cansaço,
sentia-se presa aos velhos laços,
que, embora frouxos,
ainda eram amarras.


A Igreja

Branquinha.
Porta azuis.
Singela,
só uma torre.
No altar,
a Virgem Maria.

In Andarilho do tempo
Direitos Reservados


Cantigas

Como eco de lembranças bem vividas
vêm-me da infância sons,
que só distingo
no inconsciente histórico de ancestrais:
... minha direita está vaga...
... se esta rua fosse minha...
... lua bonita...
... eu fui no Itororó...
... e os cabelos da morena...
eu, de fora da roda.
E eu?
E eu...
sempre espectadora!

Maria Aparecida Camargos Freitas
In Andarilho do tempo - Direitos Reservados


Acalanto

Dorme!
Durma o sono dos amantes
Sonhe!
Velarei para que teu sono
não seja interrompido.

Quando acordares,
aqui estarei, pois o velar não cessa.
O amor é o eterno guardião
do ser amado.

Ser amante,
ser amado.
é o amor em eterno movimento
de levar a humanidade
através do tempo
a imortalidade.

Perpetuar, na dor de uma saudade,
a felicidade do gozo de um momento
e faze-lo valer a vida inteira.

Aparecida Camargos
In Sinfonia dos Ventos
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