Cadeira 71 - Sebastião Bemfica Milagre // Maria Aparecida Camargos de Freitas


Sebastião Bemfica Milagre nasceu em Divinópolis - MG aos 2 de setembro de 1923, filho do casal Olyntho Bemfica Milagre e Deodata Maria Sempreviva.

Foi Escrivão de Polícia por mais de trinta anos, até aposentar-se. Depois trabalhou como leiloeiro.

Foi ainda vendedor de seguros e secretário da FAFID (atualmente FUNEDI/UEMG). Extremamente ligado às artes e cultura em geral, colaborava em programas de rádio e escrevia canções.

Também participou dos movimentos literários que eclodiram em Divinópolis.

Foi um dos fundadores da Academia Divinopolitana de Letras e ocupou sua cadeira nº 02. Faleceu em Belo Horizonte no dia 22 de fevereiro de 1992, aos 68 anos.

Membro fundador da ADL, ocupou a cadeira de nº 02, cujo patrono é Bento Ernesto Júnior. Durante os mais de 50 anos de poesia, escrevia ecléticamente, fazendo poesia em várias formas.

Editou os seguintes livros:

"Via -Sacra"; "Os Gomos da Lua";

"Toma Cuidado, menina";

"Pão de Sal";

"Pastilhas";

"Gritos",

"Itinerário dos Diferentes";

"O Mundo Mundo Outro" (2 volumes);

"Sozinho na Multidão";

"O Mundo e o Terceiro mundo";

"O Homem e a Caixa Preta";

"Almanaque- O Lírico da Noite";

"3 em 1"; "Lápis de Cor";

"A Igreja de João XXIII";

"O Homem Soledade";

"Quartetos de Sopro- O Nome dela é Perpétua";

"O Doador de Sangue- Procissão da Soledade".

Participou também de várias antologias da ADL, e outras pelo Brasil.

Nunca vendeu um livro de sua autoria, pois dizia que a poesia é tão sublime que não tinha preço.

Faleceu em 22 de fevereiro de 1992, aos 68 anos.


O dom Juan, ser envolvente,
Vai bem e fica infernal,
Se sabe que, intimamente,
Marido e mulher vai mal...

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- Mulher casada, a amizade
De outro homem é duro jogo...
Cuidado com esta verdade!
Pois não se brinca com fogo!

Sebastião Bemfica Milagre
in Toma cuidado, menina ( Trovas)


Tua esposa é uma ambrósia!
Mas, algo vou te dizer:
" Quem come carne sadia,
os ossos deve roer"...
...
Se alguém a mim se queixar
Do seu amor... que eu me cale.
Quem ama, pode falar;
Mas, não quer que ninguém fale...

Sebastião Bemfica Milagre
In: Toma cuidado, menina (Trovas)
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O enterro ( Parte III)

Quando eu morrer, "ai!que alívio"
morre tarde - não dirão
mas pensarão no coração.
"Pouco, embora, o que ele tem
vai nos fazer algum bem";
" era um chato o Sebastião!"

Mas eu, também, já cansado
de ser mal interpretado
e indesejado,
ansiarei por ir depressa;
não de carros; se pudesse,
até de avião,
inda que do cemitério
resida a um só quarteirão.

Parte IV

Mas, eu digo, em contrafé:
- enterro bonito é a pé.

Sebastião Bemfica Milagre
In O melhor das Antologias - ADL
Um convite à navegação sem rumos!


O Enterro

Enterro bonito é a pé.
O cortejo vai andando
pela rua lentamente;
Alguns parentes chorando;
alguns amigos passando.

ele era bom, era um santo;
era bondosa, uma santa.

Político pega a mão,
de um por um, "como é que vai?"
está visando eleição.
Se há padre ou leigo engajado,
um Pai Nosso;
depois, uma Ave Maria.

Quando entra no cemitério,
Aí então é que demora.
vai-se andando, vai-se andando
até o lugar da cova,
onde, daí por diante,
vai viver o que morreu.

Sebastião Bemfica Milagre
In O Melhor das Antologias - ADL
Direitos reservados

Trovas:

Como a criança, a quadrinha
Não deve nascer forçada.
Vindo de encontro à folhinha,
Nasce morta ou aleijada...

In: Toma cuidado, menina
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Trovas:
O patrão, de alma atrevida,
A cozinheira ameaça.
Quer que ela faça a comida
E de comida se faça...

In Toma cuidado, menina ( trovas)
Direitos Reservados


Trovas... quisera escrevê-las
Muito inspirado e feliz,
Para que o leitor, ao lê-las
Gostasse e pedisse bis...
...
Como a criança, a quadrinha
Não deve nascer forçada.
Vindo de encontro à folhinha,
Nasce morta ou aleijada...

Sebastião Bemfica Milagre
In:Toma Cuidado,Menina (trovas)
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O Enterro ( Parte 2)

Hoje em dia, todavia,
o enterro é sempre de carro.
Os vivos tem muita pressa
tem pressa também o morto
vivos querem ficar livres
o quanto antes do defunto,
pois a vida continua,
é a verdade nua e crua;
por isso, o "feijão no fogo".
Por sua vez o defunto
quer distancia ver-se longe
do injusto jogo
dos homens e das mulheres
(continua...)

Sebastião Bemfica Milagre
In O Melhor das Antologias
Academia Divinopolitana de Letras
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