Cadeira 80 - Neusa Marilda Mucci


Neusa Marilda Mucci, natural de Campinas - SP, assina suas Brás como Neusa Marilda. Professora de ensino básico e especialização em Metodologia Montessoriana. Nascida numa fazenda, ali foi criada e desenvolveu, desde cedo, a observação da natureza e com ela passou a captar Poesia. Preservadora da fauna e flora em tudo que puder. Seus textos quase sempre relacionam algo da música- que estudou- com a natureza e tem um enigma nas entrelinhas. Participa de vários sites literários onde publica há bastante tempo, dentre eles o Recanto das Letras, Luso Poemas, Portal CEN, World Arts Friends, Poetas Del Mundo, Redes Ning etc... Participou de algumas Antologias impressas e em E book.



Nunca forço o sorriso,
nem lágrimas de despeito
mesmo que encontre uma parede de falsidade
mantenho sereno o semblante,
pois êsse é o meu jeito

Ainda que meus olhos
se percam no vazio de um céu,
sempre algo de bom eu espreito,
trazendo no olhar um pouco mais de luz
pois êsse é o meu jeito

Vibro em cada momento meu
fazendo dele um bom proveito,
teço sonhos, mas piso bem no chão,
sem sofrimento algum,
pois êsse é o meu jeito

Ainda que muitas vezes descambe,
quase perdendo a esperança
cultivo o amor em meu peito,
como uma planta renasço
ofertando flores e perfumes,
não consigo ser de outro jeito!


Sempre juntos

Pela vida vais andando,
te sigo, nem me percebes,
sou apenas uma leve sombra
que acompanha teu viver,
porém, sou grande o suficiente
para nela descansares
quando o cansaço te abater

Neusa Marilda


Amor sepultado

Segue o caminho, um grão de poeira
leva nas retinas, a balançar,
qual pássaro voando rasteiro,
já pronto para partir e cantar

As marcas dos passos na terra,
miúdos, sem rumo, vão cansados,
qual andante em perdida tapera,
em busca do que há sonhado

Na boca a mistura de fel e mel
dos beijos há muito guardados,
no coração a cinza mortalha de véu
cobrindo um amor já sepultado

Neusa Marilda Mucci
Direitos Reservados


Canção Perdida

Há uma especial música que calei,
mas bem sei que não poderia
pois calar assim uma canção
é certamente viver menos um dia

Apenas um som de harpa ousei
dedilhar com muita emoção,
porém calei em mim a melodia
quando ela não tocou teu coração



Carta de amor

No fino papel um suave perfume,
a saudade ali está em letras tatuadas,
uma antiga carta de amor recebida
que no fundo da gaveta jaz, bem guardada!

Nela o tempo marcou muito a memória,
até as carícias chegou a desenhar,
timbrou linhas de beijos e histórias
que revivem a cada toque do olhar


Poeta

Ah...poeta não faça mais isso não,
porque colocas em toda a tua poesia
tudo o que percebo e já senti no coração
em matéria de amor e nostalgia ?

Parece que tudo se passou em teu parnaso
ou que entraste, sorrateiro, em minha mente !
Ah...poeta que de amor conhece a luz e o ocaso
porque não amas a mim somente?

Neusa Marilda