Cadeira 84 - Octaviano Joba


Octaviano Joba é o pseudônimo de Octávio João Baptista, Estudante (Quinto ano da Faculdade de Ciências de Educação e Psicologia pela Universidade Pedagógica, Delegação de Quelimane (Moçambique). Escritor e Poeta Artigos e poemas publicados: Revista Soletras - A Sopradora de Letras ( Moçambique), onde tem divulgado regularmente desde 2015; Revista Samurais Relisa (Moçambique), Revista Ocilongo (Angola); Revista Carlos Zemek (Brasil); Revista Sinestesia (Brasil), Revista Primeiro Capitulo (Brasil); entre Outras. Participou em Projectos literários como "Folhinha Poética" ( publicado " Matriz -2017"); Participou ainda no Projecto "Poetizar o Mundo" por ocasião do dia da palavra instituído pelo Museu da Palavra da Fundação César Egido Serrano; E é Membro-Editor no Projecto IdeiArt (Www.ideiart.com). Membro da AMCL- Academia Mundial de Cultura e Literatura, ocupante da cadeira 84, cujo o Patrono é Rui de Noronha. Participou no 2º Sarau Virtual da AVL- Academia Virtual de Letras; e no 3º Sarau Temático "Nas Asas Da Poesia". E é Autor do blog "Vice-Verso" (https://octavianojoba.blogspot.com), e de uma página no Recanto das Letras, uma rede de Autores. Sou um sonhador que não tem certeza do próprio chão que pisa Email: octaviojoaobaptista@gmail.com Facebook: https://m.facebook.com/Octaviano.Joba.Poeta.de.Mocambique/



UM PONTO

Verdes planícies cobertas de encantos...
Corações, humildemente, humanos e santos...
A engenharia misteriosa dum sorriso digital...
Imagens e mensagens instantâneas...o sinal...
Seres misteriosos nas profundezas dos mares...
A distinção das cores, raças, culturas e lugares...
O parar para escutar os bichos...o cantar da arara...
O lembrar da luz do luar a brilhar na seara...
A composição duma canção do fundo do coração...
É louvor da criação...ou magia da explosão?


MINHA FILOSOFIA

Nasci livre e tenho orgulho de quem sou:
Obra do Divino, foi Deus quem me criou...

Sou sincero a mim mesmo, sou quente, sou frio
Conheço de cor o caminho dum vale sombrio...

Sou fiel às minha ideais: quando posso as defendo
Aceito criticas dos que me amam e assim vou vivendo...

O amor que colhi não o comprei e não o vendo:
É uma séries de eventos que aos poucos vou tecendo...

Tranformo ideias em ideais e tento seguir à risca:
Não pretendo agradar ninguém que me petisca...


NOSSAS FLORES

No pacto com esta vida saborosa
No amor pela crença religiosa
No silêncio da cobra venenosa
Há flores, flores que são flores...

Flor, flor do deserto: abandonada...
Flor, flor do jardim: cuidada...
Flor, flor da floresta: cercada...
Flor, flor do pântano: molhada...
Flor, flor do caminho: humilhada...
Flor, flor do quintal: regada...

Flor, flor de dor...de tristeza...
Flor, flor de amor...de beleza...
Flor, flor espinhosa...venenosa...
Flor, flor formosa...deleitosa...

Dedique o seu amor terno e eterno
À flor que não te leve ao inferno...
Contemple a simplicidade da paisagem
Que a brisa te levará em viagem...


QUERO-TE

Quero-te assim tão bela, quero-te inteira
Como uma paisagem verde brilhante
Quero-te como estrela, minha companheira
A navegar em meus braços de amante.

Quero assim singela, quero-te roseira
Para respirar o seu doce perfume,
Quero-te como estrela, minha lareira
Para fundir-me no calor do seu lume.

Octaviano Joba 


Acordar
E contemplar a natureza calma...
Concordar
Com a beleza da sua alma
É poesia...

É amor
Que não termina em dor
É liberdade
Cheia de vida e felicidade
É progresso
É futuro...
É belo
É poesia
... é raro.

Octaviano Joba


A DOR DA SAUDADE

Ontem, visitei um jardim que fora meu
E o encontrei tristemente desbotado...
A cor de alegria que tinha desvaneceu
E a tristeza se instalou por todo o lado.

Mas entre folhas secas, paus e cacos
Resistem duas flores lindas em pranto
Diante de tanta imundice, aridez e buracos
Que consumiu todo o verde manto...

E desejei que essas flores fossemos nós:
Eu e tu abraçados doce e eternamente...
Mas sinto que nem alcanço ouvir a sua voz
E o seu último olhar foi mui deprimente...

Octaviano Joba


SEM ATALHO

Assusto o silêncio que me é imposto
... posto após posto posto em holocausto...
de custos e medo existo assim composto
como um suposto rosto em riste e exausto

de vagar p'las ruas como se mendigo,
de contar as luas, os sóis ao relento...
eu quero é amor, este lindo abrigo,
esta linda casa; humano sentimento...

...ajusto a tristeza num riso vasto
gasto o amor em cada flor que degusto (...)
arbusto firme sou pássaro casto
no nefasto sol padrasto e injusto...

S'a moda muda, conservo o conteúdo,
me desligo num sono profundo
enquanto renasço anjo, anjo miúdo
indo e vindo no lindo findo mundo...

Octaviano Joba


Vem!

Vem
Cromatizar minha alma de arco-íris,
Vem
Conceder um horizonte minha íris,
Vem
Apagar o fogo deste demente desejo,
Vem
Repentinamente como se um relampejo
Vem
Colher os sorrisos que te proponho,
Vem
Encher de esperança meu coração bisonho,
Vem
Segurar o leme do meu barco no balanço,
Vem
Sossegar o possante sopro no qual me lanço...
Vem
Regar de paraísos e risos esta estiagem
Vem
Que o mundo é um abismo sem ti, meu bem!

Octaviano Joba


ANTES DO TREM...

Vou pela vida a procura de minha sorte,
Meus eternos dias de amor na terra
Se, acaso, me deparar com a morte
Irei em silêncio colorido como Primavera.

E nessa viagem levo comigo a esperança,
Minha única herança, meu único bem
Se,acaso, o escuro vier...sorrio como criança...
Abro a porta da imaginação e vejo o além...

Tropeço pelo caminho...trepo os montes:
Eu não sou areia para viver na imensidão.
Meu destino é viajar, absorver horizontes
E não aceito ajoelhar, rastejar pelo chão...

Errei pela vida e vou errando cada vez mais
...também aprendo com os erros de outrém.
Se não encontro a paz em alguns rituais
Fujo da dor...só não fugirei da morte, o trem.


QUEIRA DEUS

Queira Deus iluminar o meu caminho
Proteger-me da falsidade do Homem
Encher de benção o meu ninho...
Queira Deus que não me domem...

Queira Deus que eu busque o sustento
Em cada gesto humano que me acena
Que me livre, enfim, do sofrimento
Desta vida tristemente pequena...

Queira Deus que eu sorria e cante
Junto dos meus pares alegremente
Que, quando cair, eu me levante
E busque as forças continuamente.

Queira Deus que o mundo seja lindo
Antes da hipocrisia da globalização
Que o amor entre nações seja infindo
Que plantemos jardim ao invés de explosão.

Queira Deus que sejamos poetas
Para transformar o mundo em poesia,
Que esses emergentes profetas
Descubram que descobrimos sua hipocrisia.

Queira Deus que nos proteja
...dia e noite...assim seja!


EU ME VIRO

Quando a imensidão do mar vira maremoto
Quando a beleza do jardim vira colmeia
Quando o brilho do sol queima todo o broto
Quando a nuvem cobre a luz da lua cheia
Quando a inteligência do Homem vira demência
Quando a viva brisa vira terrível tempestade
Quando o silêncio é maior que a minha paciência
Quando a hipocrisia veda toda a verdade
Quando a paisagem da viagem vira estiagem
Quando o trem da felicidade vira miragem
Suspiro...me retiro das adversidades...respiro...
E quando o Oxigênio vira Carbono eu me viro...


SE VIRES

Se vires uma estrela brilhando no céu
Como o seu doce olhar diante de mim
Saiba que essa estrela, amor, sou eu...

Se vires um raio de luz pela sua janela
Conversando com as flores do seu jardim
Saiba que essa luz é a da sua estrela...

Se vires um barco riscando o mar
Ante a rigidez amarga da tempestade
Saiba que esse barco nasceu p'ra te amar...

Se vires uma nuvem cinzenta triste
É o prelúdio do doce choro de saudade
Que em toda a minha alma repartiste...

Octaviano Joba
Imagem: Google


Amor é bom:
Meu amor eu nunca o vendi.
...não é um dom...
É coisa que aprendi.

Octaviano Joba


TUDO TERMINOU

Tudo terminou.
Tudo terminou.

O perfume transformou-se em fumo
As flores transformaram-se em fogo
E o meu coração navegando sem rumo
Vai solitariamente perdido neste jogo:
A tua voz é uma eterna tempestade
Arrastando-me para o Porto da Saudade.

Octaviano Joba / Poeta Moçambicano 


CADA UM É DONO
Cada um é dono de si, cada um é dono...
Dono das alegrias e mágoas que colhe.
Cada um é Sublime Rei e Réu do seu trono...
Surpresas são fatos que a alma escolhe.

Cada um é dono de si, cada um é dono...
Dono de pensamentos e sentimentos que colhe
Cada um é Mendigo, às vezes, é Patrono
Das palavras, certas ou erradas, escolhe.

Cada um é dono de si, cada um é dono...
Dono do amor e do ódio que colhe
Cada um é treva, luz do seu trono
E a incerteza e uma dor que tolhe.

Cada um é dono de si, cada um é dono...
Dono do raio de sol e da neve que colhe:
A nossa alma é cumpridora da "Lei de retorno".
...felicidade ou tristeza a gente escolhe...


INCERTEZA

Andei procurando o meu amor, eu andei
Sob montes e vales procurando...
Caminhei pensando nela, eu viajei
Sob soluços e silêncios pensando
Se um dia pela estrada a encontrarei
Ou na Estação da Felicidade me esperando;
Se ao meu destino vitoriosamente chegarei
As glórias da minha luta cantando...

Octaviano Joba